Servidor do Metrô faz greve de fome contra corte de ponto de grevistas

Sindicato esperava que TST derrubasse liminar que dá à estatal o direito de descontar dias não trabalhados, mas análise nem entrou em pauta

Matheus Garzon/MetrópolesMatheus Garzon/Metrópoles

atualizado 12/08/2019 20:55

Servidores da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) deixaram a Sessão de Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) na tarde desta segunda-feira (12/08/2019) insatisfeitos. Eles queriam a análise – e a derrubada – de liminar que permite o corte dos vencimentos dos funcionários em decorrência dos 77 dias parados. No entanto, o caso nem sequer entrou na pauta.

Dessa forma, os servidores continuam sem receber não apenas os dias de duração do movimento paredista, mas também os benefícios que o acordo coletivo de trabalho (ACT) previa, como vale-transporte, tíquete-alimentação e auxílio-creche. Com a medida, pelo menos 80 funcionários ficaram com salários abaixo de R$ 100. Há casos em que os trabalhadores receberam contracheque de R$ 2.

Haroldo Sabino Moreira, 28 anos, funcionário do Metrô-DF, por exemplo, recebeu R$ 800 e disse que fará greve de fome em frente ao TST até que a liminar, concedida pelo presidente da Corte, ministro João Batista Brito Pereira, no início de julho, seja derrubada.

A decisão do ministro cassou outra liminar – esta expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) –, que obrigava o Metrô-DF a manter o pagamento de salários a servidores pelos dias não trabalhados em razão da greve.

“Minha última refeição foi domingo [11/08/2019], às 21h. Pretendo ficar aqui três, até cinco dias. O tempo que for necessário para que a matéria seja apreciada”, disse ao Metrópoles.

Segundo Haroldo, a intenção é ficar acampado em frente ao TST, localizado no Setor de Administração Federal Sul (Safs), apenas tomando água. “Estou no cheque especial, devo o cartão de crédito e não consegui pagar a parcela do meu apartamento financiado. Já que eu iria passar fome em casa, prefiro passar aqui”, conta.

 

Enquanto aguarda resposta da última instância do Trabalho, o que só deve ocorrer em setembro, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (Sindmetro-DF) apostará suas fichas no julgamento da terça-feira da próxima semana (20/08/2019), quando o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) deve julgar e dar fim ao impasse com relação ao ACT da classe para os próximos três anos.

Uma decisão favorável dentro do âmbito regional não teria poder para impedir a liminar do TST, mas pode ser um indicativo positivo para a categoria, que não descarta nova paralisação. A greve – encerrada em 18 de julho, após 77 dias – acabou depois de a Justiça determinar que os metroviários retomassem as atividades.

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