Funcionários dos Correios aceitam pedido do TST e adiam greve

Ministro havia solicitado tempo para negociar uma nova proposta para a categoria. Sindicatos aceitaram, mas mantiveram estado de greve

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 31/07/2019 22:46

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) orientou, nesta quarta-feira (31/07/2019), que os trabalhadores dos Correios aceitassem o prazo de 30 dias solicitado pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Renato Paiva para tentar construir uma nova proposta de acordo para a categoria, mas mantivessem o estado de greve, sem paralisação ao menos até 31 de agosto.

Em reunião na tarde desta quarta, a estatal havia aceitado a proposta do ministro de prorrogar o acordo coletivo de trabalho até 31 de agosto. Assim, estaria superada a questão da data-base e assegurado o plano de saúde para mães e pais de empregados da empresa.

Em assembleias na noite desta quarta, todos os sindicatos filiados à Fentect seguiram a orientação da entidade e optaram por não parar as atividades, mas manter o estado de greve.

A ideia de seguir em estado de greve é manter a legalidade caso a categoria vote pela deflagração da paralisação posteriormente.

Confira a íntegra da nota da Fentect divulgada após as decisões dos sindicatos regionais da categoria:

“O Comando Nacional de Negociação e Mobilização da Fentect tem participado há mais de um mês de reuniões para a negociação do novo Acordo Coletivo de Trabalho da categoria. Após a última reunião realizada hoje (31/07/2019) no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para tratar do PMPP referente ao plano de saúde, o ministro Renato Paiva pediu um prazo maior para tentar construir uma proposta sobre a manutenção de pais e mães no plano e a prorrogação do atual acordo por mais 30 dias.

A falta de interesse da empresa em negociar foi evidente durante toda a Campanha Salarial. Desde a não apresentação do índice econômico no prazo acordado até as propostas para retirar direitos historicamente conquistados, a postura da ECT foi prejudicar o calendário, empurrando a negociação para o TST.

O discurso de privatização defendido pelo Governo e colocado em prática gradativamente (inclusive com os ataques as direitos dos ecetistas) também é produzido a partir da Campanha Salarial jogando a opinião pública contra os trabalhadores e espalhando informações falsas a respeito do serviços prestados pelas empresas estatais.

Diante disso e consciente da má vontade dos atuais gestores à frente dos Correios, o Comando Nacional orienta a rejeição da proposta de reajuste salarial e retirada de direitos apresentada pela empresa e passa a contar com a mobilização dos trabalhadores nos próximos dias para pressionar por uma proposta que verdadeiramente atenda os anseios da categoria. Os trabalhadores devem manter o Estado de Greve a fim de garantir a legalidade do movimento paredista caso haja deflagração de greve nas assembleias que vierem a ser realizadas até o fim de agosto.

Com o fim do prazo do PMPP, o processo de judicialização que trata da permanência de pais e mães no plano de saúde está suspenso, garantindo atendimento apenas a emergências e tratamentos que já estão em curso e emergências. Portanto, qualquer avanço neste ponto só será possível com a luta de todos os trabalhadores.”

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