Empregados do Metrô-DF cancelam assembleia e vão aguardar parecer do TST

Com o ACT suspenso por ordem da Justiça, contracheques dos trabalhadores da empresa vieram minguados. Alguns receberam apenas R$ 2 líquidos

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 01/08/2019 23:54

O Sindicato dos Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF) cancelou a assembleia convocada para a noite desta quinta-feira (01/08/2019), na qual debateriam um eventual retorno ao movimento grevista, interrompido em obediência a uma decisão judicial expedida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 9 de julho. A diretora de Comunicação da entidade, Renata Campos, confirmou ao Metrópoles que a categoria não cruzará os braços até a reapreciação da sentença pela Corte.

“A gente tinha decidido convocar a categoria porque a maioria ficou sem salário, eu diria que 80% dos trabalhadores, no mínimo. Alguns receberam valores irrisórios, que imediatamente foram captados pelo banco. Quase todos os empregados têm empréstimos, e o BRB [Banco de Brasília] não quer saber do seu problema com a empresa”, relata a dirigente sindical.

Com diversos benefícios cortados por determinação da Justiça de suspender o acordo coletivo de trabalho (ACT) da categoria, servidores da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) viram contracheques minguados nessa quarta (31/07/2019).

Sem o ACT vigente e com descontos referentes ao corte de ponto – em razão dos 77 dias de greve –, os empregados do Metrô-DF vão deixar de receber neste mês de agosto até R$ 4 mil, sem benefícios, como vale-alimentação, auxílio-creche, indenização por transporte, plano de saúde, entre outros.

Além disso, a empresa está autorizada pela Justiça a cortar o ponto dos grevistas. Com a medida, pelo menos 80 funcionários ficaram com salários abaixo de R$ 100. Há casos de trabalhadores que receberam contracheque de R$ 2.

“A decisão do TST foi tomada levando em conta exclusivamente os argumentos levantados pelo Metrô. Nós apresentamos as contrarrazões e estamos confiantes na resposta da Justiça”, acredita Renata.

O que diz o Metrô-DF

Em nota, o Metrô-DF informou que os descontos nos contracheques ocorreram em decorrência de liminar concedida pelo TST. “Aqueles que fizeram greve receberam apenas os dias eventualmente trabalhados. Mesmo os que não aderiram ao movimento também tiveram diminuição na remuneração, porque o ACT perdeu sua validade no dia 29 de junho, e, a partir de então, e como o SindMetrô-DF e seus filiados não aceitaram as propostas da empresa para um novo ACT, não é mais possível o pagamento de vários benefícios antes previstos”, diz o texto.

Ainda de acordo com a empresa, 82 funcionários receberam salários abaixo de R$ 100 devido aos descontos pela suspensão de contrato de trabalho durante a greve.

Processos administrativos

A categoria voltou ao trabalho um dia após o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), endurecer com o movimento, que causou prejuízo de mais de R$ 9,3 milhões ao sistema, de acordo com a empresa.

A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal também instaurou 126 processos administrativos disciplinares (PADs) contra funcionários da empresa que não ocuparam seus postos nas bilheterias das estações após o fim da greve.

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