Após fim da greve no Metrô-DF, passageiros ainda enfrentam transtornos

Pelo segundo dia consecutivo, funcionários não abriram guichês e deixaram catracas livres. Resultado: filas e muitas queixas nas estações

Nathalia Cardim/MetrópolesNathalia Cardim/Metrópoles

atualizado 19/07/2019 11:43

Dois dias após os metroviários decretarem o fim da greve, os usuários ainda enfrentam transtornos para usar o sistema. A exemplo da quinta-feira (18/07/2019), na manhã desta sexta (19/07/2019), eles se depararam com guichês de cobrança vazios e catracas livres. Na Estação Ceilândia, apenas um servidor atendia aos passageiros. Resultado: fila grande para a compra dos bilhetes e muitas queixas.

“Parece que a greve nem acabou. Olha a fila. Durante a paralisação, havia mais funcionários trabalhando do que hoje. Um descaso completo”, disparou a doméstica Léia Medeiros, 50 anos. Na Estação Centro Metropolitano, na Via Elmo Serejo, também apenas um guichê está funcionando.

“É um absurdo isso. Depois de quase três meses em greve, quando volta a funcionar, só um caixa está trabalhando? Isso atrasa todo mundo”, disse a manicure Andreia Martins, 43. O pedreiro José Antônio Reis, 29, completou: “Olha a fila que se forma com apenas uma bilheteria funcionando. Para abrir só um caixa, é melhor que eles liberem as catracas como estão fazendo em outras estações”.

O músico João Jorge Cintra, 30, chegou à Estação Ceilândia por volta das 8h30 e precisaria descer na Estação 112 às 9h. “Pelo andamento da fila, certamente vou chegar ao meu compromisso atrasado. Já passaram dois trens desde que cheguei aqui e ainda não embarquei porque não consegui comprar o bilhete”, lamentou.

Uma funcionária do Metrô, que não quis se identificar, relatou que a fila de pessoas para comprar passagem na Estação Ceilândia estava grande desde as primeiras horas do dia. “Ontem (quinta-feira), foi do mesmo jeito. Com apenas um funcionário trabalhando, não liberaram o acesso aos usuários e também ficou bem cheio. A população precisa entender que nós não queremos prejudicar ninguém. Mas os funcionários estão lutando pelas garantias”, destacou.

A Companhia do Metropolitano confirmou que o número de empregados continua reduzido. Só no turno da manhã, dos 92 empregados previstos, apenas 64 se apresentaram ao trabalho. Ao todo, foram 28 ausências — 18 licenças médicas, dois atestados de comparecimento, um atestado de acompanhamento e sete não informaram o motivo da falta. Números bem superiores em relação a dias normais, quando são notificadas de cinco a oito faltas.

 

 

Na Estação Praça do Relógio, dos quatro caixas, apenas dois estavam em funcionamento. As catracas foram liberadas, mas ainda assim alguns usuários passavam o cartão. Em Taguatinga Sul, os passageiros também não precisavam pagar para usar o sistema – nenhum guichê funcionava no local.

Mas por que a situação ainda segue como se a greve não tivesse acabado? Funcionários disseram que seguem orientação do sindicato da categoria, de não regularizar as atividades até que o Metrô se posicione sobre o não pagamento da quebra de caixa, cláusula que foi suspensa no acordo coletivo dos trabalhadores.

“Sem o acordo, a empresa indicou que suspenderia a quebra de caixa e também o vale-transporte dos metroviários. Nós mandamos carta ao Metrô e eles não responderam. Sendo assim, decidimos aguardar o posicionamento deles. A ideia é de que só retomem as atividades de caixa após a decisão da companhia. Não podemos aceitar que a diferença seja descontada do bolso dos empregados”, disse a diretora de Comunicação do Sindicato dos Metroviários, Renata Campos, na quinta-feira (18/07/2019).

Assembleia

Após 77 dias de paralisação, os servidores suspenderam a paralisação na noite de quarta-feira (17/07/2019). Mas, na quinta, 13 das 24 estações da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) ficaram com catracas abertas. Segundo a direção da estatal, o motivo foi a falta de funcionários – o que pode acarretar punição.

Assim como na quinta, nesta sexta, a empresa informou que, das 24 estações abertas, 13 tiveram que liberar acesso aos usuários porque alguns empregados seguiram a orientação do SindMetrô e não abriram o caixa das bilheterias. Os passageiros tiveram passagem liberada na 102 Sul, 108 Sul, 112 Sul, 114 Sul, Asa Sul, Feira, Arniqueiras, Concessionárias, Praça do Relógio, Ceilândia Sul, Ceilândia Norte, Furnas e Samambaia Terminal.

A direção do Metrô informou, na mesma nota, que tomará medidas cabíveis em relação aos empregados que se recusaram a cumprir sua carga horária nessa quinta (18/07/2019), inclusive quanto aos prejuízos causados ao erário. Segundo a estatal, apesar de todos os 24 trens terem sido colocados em circulação, os veículos não entraram em funcionamento no horário. Os motivos são apurados. De acordo com a estatal, todos os trens deveriam estar nos trilhos a partir das 6h. Mas o 24º só passou a rodar às 7h30.

Até a última quarta-feira (17/07/2019), pelas contas da estatal, o erário deixou de arrecadar R$ 9.120.372,17 por causa do movimento paredista. Cerca de 1,9 milhão de usuários foram transportados a menos, comparando-se com o mesmo período do ano anterior

O governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou o corte de ponto dos grevistas e a restituição dos dias parados. “É bom que fique claro: greve com pagamento de salário é férias remuneradas, e isso eu não admito”, pontuou o emedebista na terça-feira (16/07/2019).

 

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