Após fim da greve, servidores não cobram passagens no metrô

Sindicato diz que, como acordo suspendeu quebra de caixa, categoria teme que diferença na arrecadação seja cobrada dos trabalhadores

Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 18/07/2019 14:48

Mesmo com o fim da greve dos metroviários, 13 das 24 estações da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) estão com catracas abertas nesta quinta-feira (18/07/2019). Segundo a direção da estatal, o motivo é a falta de funcionários, que podem ser punidos. “Alguns empregados seguiram a orientação do SindMetrô e não abriram o caixa das bilheterias. Eles alegaram que, por não haver no acordo coletivo de trabalho, a quebra de caixa (diferença paga pela empresa se faltar alguma quantia), não iriam se responsabilizar com eventual diferença nos valores arrecadados até que o Metrô-DF se pronuncie a respeito dessa situação”, destacou a empresa, em nota.

Sem se identificar, os funcionários confirmaram que não estão cobrando passagens. “A empresa já notificou que não vai pagar quebra de caixa, vale-alimentação, indenização de transporte e auxílio-creche. Tudo era garantido pelo acordo coletivo e agora estamos sem”, explicou um deles. Ao Metrópoles, os servidores confirmaram o temor pelo desconto nos salários no primeiro dia de volta ao trabalho. “A quebra de caixa ocorre caso a gente cobre pelas passagens e, ao fim do dia, tenha diferença de valores. Neste caso, eles descontam do nosso salário. Não queremos isso”, acrescentou o mesmo funcionário.

A diretora de comunicação do Sindicato dos Metroviários, Renata Campos, confirmou que a orientação é para que os funcionários não ocupem o caixa das bilheterias. “Sem o acordo, a empresa indicou que suspenderia a quebra de caixa e também o vale-transporte dos metroviários. Nós mandamos carta ao Metrô e eles não responderam. Sendo assim, decidimos aguardar o posicionamento deles. Queremos saber, caso haja problema no malote ao fim do dia, se isso será descontado ou não do salário dos trabalhadores. A ideia é que só retomem as atividades de caixa após a decisão da companhia. Não podemos aceitar que a diferença seja descontada do bolso dos empregados”, informou.

A direção do Metrô avisa, na mesma nota, que tomará medidas cabíveis em relação aos empregados que se recusaram a cumprir sua carga horária nesta quinta (18/07/2019), inclusive quanto aos prejuízos causados ao erário. As estações com as catracas liberadas são as seguintes: 102 Sul, 108 Sul, 112 Sul, 114 Sul, Asa Sul, Feira, Arniqueiras, Concessionárias, Praça do Relógio, Ceilândia Sul, Ceilândia Norte, Furnas e Samambaia Terminal.

Segundo a direção da estatal, apesar de todos os 24 trens terem sido colocados em circulação, os veículos não entraram em funcionamento no horário. Os motivos são apurados. De acordo com o Metrô, todos os trens deveriam estar nos trilhos a partir das 6h. Mas o vigésimo quarto só passou a rodar às 7h30.

A greve durou 77 dias. Em assembleia, que começou na noite de quarta-feira (17/07/2019), a categoria decidiu voltar ao trabalho. Até a última terça-feira (16/072019), pelas contas da estatal, o erário deixou de arrecadar R$ 9.120.372,17 por causa do movimento paredista. Cerca de 1.750.000 passageiros deixaram de ser transportados, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou o corte de ponto dos grevistas e a restituição dos dias parados. “É bom que fique claro: greve com pagamento de salário é férias remuneradas, e isso eu não admito”, disparou o emedebista na terça-feira (16/07/2019).

 

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Mesmo com guichês fechados e catracas abertas em 54% das estações, os passageiros se sentiram aliviados com o encerramento da greve. A dona de casa Maria Auxiliadora, 33 anos, estava na Estação Praça do Relógio para ir ao Guará na manhã desta quinta-feira (18/07/2019). Ela comemorou o fim da greve. “Já estava passando da hora. Quase 80 dias de prejuízo à população. Hoje, ficamos surpresos com a falta de atendentes nos caixas. Mas se o funcionamento do transporte está normalizado, é o que importa”, ressaltou.

A servidora pública Joana Cravo, 31, pegou o trem na Estação 102 da Asa Sul às 7h10 e chegou à Praça do Relógio por volta das 7h40. “Trabalho em Taguatinga e venho todos os dias de metrô. Durante os 77 dias de greve, o percurso estava demorando cerca de 45 a 50 minutos. Tomara que agora não tenhamos novas surpresas e o serviço volte a completa normalidade”, afirmou.

O comerciante Tadeu Izidoro Mendes, 34, pegou o transporte na Estação Ceilândia Centro por volta das 8h10 da manhã desta quinta-feira (18/07/2019) para chegar às 9h na Rodoviária. “Vai dar para chegar. Como eu sabia que a greve acabava hoje, decidi sair um pouco mais tarde do que nos últimos dias. Nós entendemos os motivos, mas esse foi um movimento que durou muito tempo, mais de dois meses. Isso prejudica os trabalhadores. Estamos aliviados pelo fim da greve”, comentou.

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