Metrô-DF tem catracas abertas na volta ao trabalho dos servidores

Segundo os próprios trabalhadores, muitos não conseguiram chegar ao serviço após o fim da paralisação, que durou 77 dias

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 18/07/2019 9:09

Mesmo com a decisão dos trabalhadores de colocar fim a mais longa greve da categoria, as estações do Metrô não estão funcionando normalmente nesta quinta-feira (18/07/2019). Na da Praça do Relógio, no centro de Taguatinga, os guichês amanheceram fechados, e as catracas, abertas.

A Estação Furnas, em Samambaia Sul, também está funcionando com as catracas livres. No começo da manhã, os usuários não encontravam nenhum atendente nos guichês.

Na de Águas Claras, três dos cinco guichês estavam sem cobradores no começo da manhã. Porém, não havia registro de filas no local, por volta das 6h30. Segundo os próprios servidores, ainda há trabalhadores que não conseguiram chegar ao serviço no começo da manhã — o sistema começa a funcionar às 5h30. As catracas, porém, estavam passando os cartões. Na de Ceilândia Centro, a situação é parecida. Apenas um  dos seis caixas cobrava dos passageiros. E nada de tumulto.

De acordo com um funcionário que preferiu não se identificar, os guichês não estão funcionando em algumas estações para evitar o pagamento de quebra de caixa. “A empresa já notificou que não vai pagar quebra de caixa, vale alimentação, indenização de transporte e auxílio-creche. Tudo era garantido pelo acordo coletivo e agora estamos sem”, explicou.

Os servidores temem terem o desconto nos salários no primeiro dia de volta ao trabalho. “A quebra de caixa ocorre caso a gente cobre pelas passagens e, ao fim do dia, tenha diferença de valores. Neste caso, eles descontam do nosso salário. Não queremos isso”, acrescentou o mesmo funcionário.

A dona de casa Maria Auxiliadora, 33 anos, estava na Estação Praça do Relógio para ir ao Guará na manhã desta quinta-feira. Ela comemorou o fim da greve. “Já estava passando da hora. Quase 80 dias de prejuízo à população. Hoje, ficamos surpresos com a falta de atendentes nos caixas. Mas se o funcionamento do transporte está normalizado, é o que importa”, ressaltou.

A servidora pública Joana Cravo, 31, pegou o trem na Estação 102 da Asa Sul às 7h10 e chegou à Praça do Relógio por volta das 7h40. “Trabalho em Taguatinga e venho todos os dias de metrô. Durante os 77 dias de greve, o percurso estava demorando cerca de 45 a 50 minutos. Tomara que agora não tenhamos novas surpresas e o serviço volte a completa normalidade”, afirmou.

O comerciante Tadeu Izidoro Mendes, 34, pegou o transporte na Estação Ceilândia Centro por volta das 8h10 da manhã desta quinta-feira para chegar às 9h na Rodoviária. “Vai dar para chegar. Como sabia que a greve acabava hoje, eu decidi sair um pouco mais tarde do que nos últimos dias. Nós entendemos os motivos, mas esse foi um movimento que durou muito tempo. Mais de dois meses e isso prejudica os trabalhadores. Estamos aliviados pelo fim da greve”, comentou.

Após 77 dias, os empregados da Companhia do Metropolitano encerraram a greve na noite de quarta-feira (17/07/2019). A decisão foi tomada em assembleia na Estação de Águas Claras. Com a deliberação, já nas primeiras horas desta quinta-feira (18/07/2019), todos os trens devem estar em operação.

A categoria descruza os braços um dia após o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), endurecer com o movimento que causou, segundo a empresa, prejuízo de mais de R$ 8 milhões ao sistema. Na terça-feira (16/07/2019), irritado, o chefe do Executivo local mandou cortar o ponto dos grevistas.

Ainda na noite de quarta, a diretora de comunicação do Sindicato dos Metroviários, Renata Campos, diz que há intenção do retorno integral do serviço, mas teme que muitos funcionários não consigam chegar aos postos de trabalho na manhã desta quinta-feira, e teme que isso seja interpretado como descumprimento. Ela explica: o Acordo Coletivo de Trabalho da categoria está suspenso por decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e um dos benefícios cortados é justamente a indenização de transporte paga aos servidores que trabalham em horários especiais no início e fim do funcionamento dos trens e estações.

“Nós fizemos uma carta endereçada à diretoria do Metrô-DF questionando se, com a suspensão da indenização, eles fornecerão transporte aos empregados. Tem gente que mora muito longe e entra às 4h. Nesse horário, não tem transporte público. Todos tentarão chegar na hora mas, se não houver o fornecimento do transporte, os funcionários vão pegar o primeiro ônibus que passar, o que pode prejudicar a abertura das estações”, disse a sindicalista.

A suspensão do ACT também aboliu o valor destinado à quebra de caixa para quem lida com a venda de bilhetes. O benefício prevê uma quantia para cobrir eventuais desfalques nos caixas a fim de evitar que seja descontado do salário dos funcionários. A carta enviada ao Metrô-DF também solicita a reinclusão do benefício e, caso não seja acatado, as catracas permanecerão abertas.

Histórico de tensão

O maior movimento paredista da história do Metrô-DF foi marcado por uma guerra de sentenças nos tribunais trabalhistas. Na mais recente, Ibaneis recorreu a uma determinação do Tribunal Superior do Trabalho que autorizava o corte os salários. “Greve com pagamento de salário é férias remuneradas, e isso eu não admito”, disparou o emedebista.

Por sua vez, o SindMetrô reagiu e alegou que a medida do chefe do Palácio do Buriti era uma afronta à decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

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