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O Distrito Federal registrou números alarmantes da violência na quarta-feira (6/6). Em 24 horas, a Polícia Civil listou pelo menos quatro homicídios – um deles contra mulher – e cinco tentativas de assassinato, além de 172 roubos e furtos. Os dados constam de levantamento do sindicato que representa servidores da corporação, o Sinpol-DF, obtido pelo Metrópoles.

O primeiro homicídio da quarta (6) ocorreu logo no início da manhã. Por volta das 6h, um policial militar de folga atirou e matou um homem em frente à Feira Central de Ceilândia. Durante o confronto, o homem que acabou morrendo baleou o PM na perna. A Polícia Civil investiga se o militar reagiu a assalto.

A 6km dali, em Samambaia, outro crime bárbaro. Desta vez, envolvendo violência doméstica. Um homem de 24 anos matou a facadas a ex-companheira, de 23. Ele ficou preso de domingo (3) a um dia antes de cometer o feminicídio, por agressão contra a mulher. A 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) investiga o caso.

O crime ocorreu pouco mais de um mês após outro feminicídio que chocou o DF. Em 4 de maio, o ex-soldado da Polícia Militar Ronan Menezes, 27, matou a tiros a ex-namorada Jéssyka Laynara da Silva Souza, 25. Ele também baleou o personal trainer Pedro Henrique da Silva Torres, 29. O rapaz sobreviveu. Ronan fugiu logo após os crimes, mas se entregou e está preso. Ele foi expulso da PMDF.

A PCDF registrou homicídios também no Paranoá, na Quadra 34. Segundo informações preliminares da corporação, uma testemunha relatou que a vítima, de 28 anos, estava dentro de um carro parado e dirigido por amigo, no setor de oficinas da cidade, quando outro homem disparou diversas vezes contra o veículo.

O condutor levou o rapaz baleado no próprio automóvel ao Hospital Regional do Paranoá (HRPA), mas ela não sobreviveu. Ainda segundo informações da PCDF, a Polícia Militar esteve na casa da vítima, onde encontrou diversas substâncias entorpecentes.

Em Brazlândia, a vítima do homicídio foi também um jovem, de 24 anos. Ele tinha banca de churrasquinho e morreu baleado com três tiros em frente à própria casa, na Quadra 45 da Vila São José. Segundo relato do pai dele à Polícia Civil, um homem saiu de um Volkswagen Gol branco e atirou quatro vezes.

O pai levou o filho ao Hospital Regional de Brazlândia, mas o rapaz perdeu a vida minutos depois. O homem não soube dizer à corporação se a vítima tinha desafetos.

Tentativas
Além dos homicídios contabilizados nessa quarta (6), houve pelo menos cinco assassinatos tentados. Em uma das investidas, motivada por suposta dívida por drogas, um jovem de 20 anos lançou o carro contra outro, de 22.

A vítima, segundo a polícia, devia dinheiro ao agressor. O crime ocorreu em Ceilândia, quando o motorista viu o desafeto na rua e acelerou em alta velocidade para atingi-lo.

Junho violento
O primeiro fim de semana deste mês havia mostrado sinais do alto índice de violência no DF. Somente no sábado (2), a Polícia Civil registrou três homicídios. Um deles, em Planaltina. O outro, no Riacho Fundo II.

Na terça (5), um homem morreu na frente da família e outro ficou ferido após ambos reagirem a um assalto no supermercado Três Irmãos, na Praça do Bicalho, em Taguatinga. Nesta quinta (7), um detento de 31 anos morreu após ser baleado várias vezes em frente ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP), no Trecho 4 do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

Confira dados de outros crimes levantados pelo Sinpol-DF:

– 92 roubos: três em comércio; um a posto de combustível; cinco em ônibus; oito de veículos; 70 a pedestres; dois com restrição de liberdade e três em residências

– Duas tentativas de latrocínio

– 78 furtos: 22 de veículos; 10 em residências; 17 no interior de veículos; 29 de celulares

O que diz a SSP-DF
A Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF) informou que divulga dados estatísticos com o recorte mínimo mensal, pois, “menor que este período, compromete uma análise mais aprofundada da violência”.

A SSP-DF acrescentou que, em relação ao crime de homicídio, o DF, onde vivem 3 milhões de habitantes, mantém a menor taxa por 100 mil pessoas desde 1988.

Na comparação do acumulado dos quatro primeiros meses do ano passado com este, houve redução de 11,2% nas mortes. A queda foi de 179 para 159. As tentativas de homicídio também caíram entre os períodos: de 328 para 302.

Cerca de 70% dos assassinatos no DF são cometidos com armas de fogo. Por isso, uma das principais medidas é o controle. Segundo levantamento da Polícia Militar, 715 armas foram recolhidas neste ano (até abril) – média de seis por dia.

 

 

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