Réu em júri de chacina com 10 mortes no DF: “Tudo isso por R$ 5 mil”

Carlos Henrique Silva foi o último réu a depor no julgamento. Ele confirmou participação no sequestro de uma das vítimas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
juri-maior-chacina-df-2
1 de 1 juri-maior-chacina-df-2 - Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

Último réu a depor no Tribunal do Júri da maior chacina do Distrito Federal, Carlos Henrique Alves da Silva — conhecido como Galego, iniciou sua fala no Plenário pedindo desculpas às famílias das vítimas. O acusado disse que tinha acertado de receber R$ 5 mil pela participação no crime.

Carlos contou que a ideia seria anunciar um assalto a Thiago Bellchior – uma das vítimas, pegar o celular dele e retirar o dinheiro que o rapaz tinha no banco. Conforme a declaração, no dia do assalto, Carlos foi buscado por Carloman dos Santos Nogueira e levado à chácara onde viviam as vítimas.

“Ficamos escondidos em um carro velho que tinha lá até o Thiago chegar. Quando ele chegou, o amarramos e vendamos. Nesse momento, Horácio, que também estava no chão fingindo ser vítima, se levantou. Depois fiz um sinal de que o trabalho foi encerrado para o Gideon, que observava de longe e fui embora”, relatou.

Carlos disse ainda que, após o assalto, Horácio Barbosa o deixou em casa e entregou R$ 2 mil em dinheiro a ele. “Depois disso nunca mais tive contato com ninguém. Mandei mensagem para Carlomam cobrando os outros R$ 3 mil, mas ele não me respondeu mais”, afirmou.

O réu declarou ainda que só ficou sabendo que Thiago estava entre as vítimas da chacina, quando foi preso pelo envolvimento no crime.

“Foi o fim de tudo para mim. Perdi esposa, minha mãe está doente com diabetes e eu não posso ajudar. Perdi tudo. E tudo isso por R$ 5 mil”, desabafou, logo após alegar que nunca matou ninguém.

Até o momento, 18 testemunhas prestaram depoimentos. O Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) informou que não há previsão de depoimentos de novas testemunhas, com exceção do delegado Ricardo Viana, que irá depor novamente após as declarações dos réus. Viana comandou a investigação do crime em janeiro de 2023, quando estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).

De acordo com o Ministério Público, o Júri tem previsão de terminar em 18 de abril, caso as oitivas não se encerrem antes.

Retrospectiva do julgamento

  • Primeiro dia: o Júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h. Foram ouvidos depoimentos de seis testemunhas.
  • Segundo dia : na terça-feira (14/4), 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h.
  • Terceiro e quarto dia: os réus prestaram depoimentos, na quarta (15/4) e quinta-feira (16/4), detalhando como foi a participação de cada um no crime.

Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano criminoso;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou do sequestro das vítimas.

Os cinco réus chegaram ao tribunal sob escolta da Polícia Penal. Apesar de estarem lado a lado, não puderam se comunicar durante a sessão.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter pena de até 358 anos de prisão.

Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.


Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
  • As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
  • Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações

Terreno de R$ 2 milhões motivou o crime

O terreno no Itapoã, que motivou os assassinos a planejar a morte de 10 pessoas, está avaliado em R$ 2 milhões. O local tem cachoeira privativa, ampla área de pastagem de gado e cerca de cinco hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.

O plano arquitetado pelos criminosos seria assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentavam recuperar a área.


Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e assassinados um a um. São eles:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

Cativeiro e emboscadas

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos usaram os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família.

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal.

Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro de um carro.

Na sequência, os acusados mataram as outras vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram assassinadas.

As outras vítimas, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos. Os corpos foram escondidos em uma cisterna.

Todos os detalhes do crime , com as reviravoltas e desdobramentos que cercam o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?