Maior chacina do DF: 4º dia do júri segue com depoimentos de réus

São aguardados os depoimentos de Carlomam dos Santos e Carlos Henrique Alves da Silva, dois réus envolvidos na chacina de 10 pessoas no DF

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Chacina, réus, júri. julgamento
1 de 1 Chacina, réus, júri. julgamento - Foto: <p>HUGO BARRETO / METRÓPOLES<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

O Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal foi retomado na manhã desta quinta-feira (16/4). Ao longo desse quarto dia de julgamento, jurados devem ouvir depoimentos de dois réus envolvidos no extermínio de 10 pessoas de uma mesma família: Carlomam dos Santos e Carlos Henrique Alves da Silva.

Nessa quarta-feira (15/4), outros três réus foram ouvidos no Plenário do tribunal. Na ocasião, Gideon Menezes – apontado como o mandante do crime – negou planejar a chacina e disse que sua participação ocorreu sob ameaça. O homem também tentou envolver uma das vítimas mortas na empreitada criminosa e disse ter sofrido tortura na delegacia de polícia para que assumisse autoria nos homicídios.

Segundo a prestar depoimento, o acusado Fabrício Canhedo desmentiu as declarações de Gideon e disse que a proposta inicial partiu de Menezes. A ideia, de acordo com o relato, era realizar um crime com o objetivo de obter grande quantia em dinheiro.

Apesar de admitir participação em etapas do esquema, Fabrício negou envolvimento direto nas mortes.

O réu Horácio Barbosa, por sua vez, optou pelo direito de permanecer em silêncio.

Júri

O Júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h daquele dia, com depoimentos colhidos de 6 testemunhas. Conforme informado pelo Ministério Público, o Júri deve ser encerrado em 18 de abril, caso as oitivas não terminem antes.

No segundo dia do julgamento, 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h. No total, 18 pessoas prestaram depoimento.

Conforme informado pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), não há previsão da escuta de novas testemunhas, com exceção do delegado Ricardo Viana, que foi convidado a depor novamente após as declarações dos réus. Viana comandou a investigação do crime em janeiro de 2023, quando ainda estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).


Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.

O quinteto foi transferido para o tribunal sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.

Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.


Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
  • As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
  • Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.

Mais sobre o caso

Avaliado em R$ 2 milhões, o terreno no Itapoã que motivou os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas tem cachoeira privativa, ampla área de capim de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados

O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.


Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um. São eles:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal

Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos, e os corpos, queimados dentro de um carro.

Na sequência, os acusados mataram as demais vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram assassinadas.

Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos, e os corpos escondidos em uma cisterna.

Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?