Irmã de vítima se exalta e é barrada em sessão do júri da chacina

Alzira, irmã de Cláudia da Rocha – uma das vítimas da chacina –, foi impedida de entrar no local do julgamento por ter se exaltado

atualizado

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irmã de vítima da chacina do DF
1 de 1 irmã de vítima da chacina do DF - Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES

Nos primeiros minutos do quarto dia do Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, um tumulto que surgiu de fora da porta do Plenário chamou atenção de quem acompanhava o julgamento nesta quinta-feira (16/4).

Por meio de gritos, Alzira, irmã de Cláudia da Rocha – uma das vítimas da chacina, foi impedida de entrar no local por ter se exaltado, segundo informaram trabalhadores do Fórum de Planaltina.

Por alguns segundos foi possível ouvir a mulher gritando, de maneira incisiva, que não poderiam impedir a entrada dela. Em determinado momento, ela pediu que policiais dessem ordem de prisão a ela, no caso de cometimento de desacato.

Ao longo dos dias do julgamento, Alzira conversou com a imprensa e disse que foi dispensada como testemunha momentos antes de ela depor. Ao Metrópoles, Nathan Neto, um dos promotores do caso, explicou que ela não poderia ter acompanhado as oitivas antes de prestar declarações.

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Ao longo dos dias do julgamento, Alzira conversou com a imprensa e disse que dispensaram ela como testemunha momentos antes de ela depor
Irmã de uma das vítimas da chacina do DF se exaltou
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Ao longo dos dias do julgamento, Alzira conversou com a imprensa e disse que dispensaram ela como testemunha momentos antes de ela depor
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O promotor disse, ainda, que tentou conseguir que a mulher fosse ouvida apenas para que a história da irmã dela fosse contada, mas as defesas dos réus recusaram o pedido do representante do Ministério Público.

Desde segunda-feira (13/4), a mulher, que veio do Rio de Janeiro, tem comparecido ao Tribunal do Júri e acompanhado o julgamento, até ser impedida de entrar no Plenário na manhã desta quinta.

Em uma breve conversa com a reportagem, a Alzira contou que antes das mortes acontecerem, amigas de Ana Beatriz – filha de Cláudia –, tomaram conhecimento do sumiço da menina e da mãe dela. “Elas tentaram registrar boletim de ocorrência, mas foram impedidas”, pontuou.

“Queria perguntar para o delegado o motivo de não terem registrado o BO. Se tivessem ouvido aquelas meninas, talvez nenhuma morte teria acontecido”, disse a mulher.

Júri

O Júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h daquele dia, com depoimentos colhidos de 6 testemunhas. Conforme informado pelo Ministério Público, o Júri deve ser encerrado em 18 de abril, caso as oitivas não terminem antes.

No segundo dia do julgamento, 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h. No total, 18 pessoas prestaram depoimento.

No terceiro e quarto dia, réus detalham participações no crime.


Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.

O quinteto foi transferido para o tribunal sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.

Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.


Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
  • As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares. Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
  • Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações

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