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A censura do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ao Metrópoles repercutiu também entre os pré-candidatos ao Palácio do Buriti. Ao usar a Agência de Fiscalização do DF (Agefis) para retirar o painel instalado na fachada de um prédio na área central de Brasília, o chefe do Executivo intensificou a preocupação dos concorrentes sobre o uso da máquina pública para se promover, beneficiar ou se defender de críticas.

O ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) acredita que se insurgir contra críticas demonstra o despreparo de Rollemberg comandar o DF. “A Agefis atua porque alguém mandou fazer. Não é uma posição democrática”, disse. Para ele, recorrer a uma agência pública para conquistar reparos à própria imagem é uma postura equivocada.

Presidente do PSDB local, o deputado federal Izalci Lucas concorda com as colocações dos demais pré-candidatos ao Buriti. “Rollemberg conseguiu na Justiça cassar várias manifestações de partidos contra a sua gestão. A censura é um instrumento comum para ele”, disse. Izalci afirma estar surpreendido com a postura do governador. “Se você quer conhecer uma pessoa, dê poder a ela. Quando era deputado, senador, ele não era assim”, completou.

Alexandre Guerra (Novo) também não poupou críticas: “A liberdade de imprensa e o direito à informação integram a essência do regime democrático. Por isso, qualquer ato de censura será, por definição, um ataque à democracia. Péssimo ver o Estado ser maior que o interesse do cidadão”, disse. Além da declaração à reportagem, registrou a indignação no Twitter.

Presidente do PTB-DF e “buritizável”, Alírio Neto relata que a judicialização de críticas é uma prática do atual número um do GDF. “Sem dúvida alguma, esse será o tom da campanha. Pelo menos por parte dele. Rollemberg tem histórico de retaliar quem é contrário a ele. Todos sabem das recentes propagandas eleitorais alvo dele e da família dele no Judiciário”, afirmou.

Já a ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (Pros) destaca que é hora de uma reflexão maior sobre o papel do Estado e o uso da máquina pública: “Não é admissível buscar o benefício próprio. Muito menos censurar e ameaçar a liberdade de expressão.

Retirada
A operação da Agefis começou na manhã de sábado (2/6). O alvo principal é o painel digital mantido pelo Metrópoles no Setor Bancário Sul que, para funcionar, levou mais de um ano para obter todas as autorizações legais do GDF. A estrutura de 253m² veiculava tanto matérias jornalísticas quanto anúncios publicitários e prestação de serviço.

Para entidades ligadas à liberdade de expressão, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal (OAB-DF), além de congressistas e deputados distritais, a ação de Rollemberg configura censura.