PCDF espera laudos para ouvir cirurgião acusado de deformar pacientes

A 21ª Delegacia de Polícia recebeu denúncias de cinco mulheres contra o médico Sílvio Parreira da Rocha

Reprodução/Arquivo PessoalReprodução/Arquivo Pessoal

atualizado 14/09/2019 9:55

Investigadores da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) que apuram denúncias de cinco mulheres contra o cirurgião Sílvio Parreira da Rocha aguardam a finalização de laudos produzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) para intimar o profissional. As supostas vítimas de erro em procedimentos passaram por perícia médica, que vai detalhar todas as lesões provocadas pelas intervenções.

Após os resultados dos laudos, que devem sair na próxima semana, os delegados que cuidam do caso irão colher o depoimento de Rocha. A advogada Thawanna Carvalho diz que a cirurgia de implante de silicone provocou sequelas em sua cliente. “A impressão que se tem é a de que não foi feito nada. A única diferença ao observarmos o antes e depois da cirurgia são os cortes grosseiros que ficaram por todo o corpo da paciente”, ressaltou.

Dores nos seios

Thawanna afirma que, desde a operação realizada, a mulher sofre com dores na região dos seios. “Eles não ficaram erguidos como se espera ao final de uma cirurgia do tipo, e as próteses de silicone colocadas cederam. Quando ela [a paciente] o procurou para fazer a reparação, o médico aceitou realizar nova intervenção, mas ela ficou deformada da mesma forma”, explicou.

A advogada assegura que irá ingressar com uma ação judicial por danos estéticos, morais e materiais contra o profissional que atua em uma clínica particular de Taguatinga.

Em perfil profissional publicado na internet, o médico se diz especialista na realização de lipoaspiração, lipoescultura, abdominoplastia, otoplastia, correção de cicatrizes, mamoplastia de redução e implante de silicone. Os procedimentos, no entanto, teriam, segundo o relato das vítimas, provocado desde deformações nos mamilos e cicatrizes profundas até intensas dores nas regiões operadas.

Veja informações do médico publicadas em seu perfil profissional:

Em nota, o médico afirmou já ter realizado mais de três mil operações e diz não reconhecer nenhuma das fotos que estão sendo divulgadas. Ele falou também que nunca provocou deformidade alguma em qualquer paciente. Sílvio ainda alega não ter recebido nenhum tipo de intimação ou notificação da Justiça.

O médico investigado disse ser vítima de “exposição injusta e infundada” e conta ter feito um boletim de ocorrência contra as mulheres que o denunciaram, no intuito de “trazer a verdade dos fatos à tona da maneira mais rápida possível”.

Confira, na íntegra, o posicionamento do médico:

“1° – Tenho 32 anos de atuação na área médica, tendo operado mais de trés mil pacientes. Sou devidamente registrado no CFM (Conselho Federal de Medicina), sob o RQE n° 2214, e também sou membro associado à SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plastica).

2° – Não reconheço a foto das mamas que vem sendo divulgada, apesar de claramente se tratar de uma imagem tirada nos primeiros dias de pós-operatório.

3° – Não tenho, em meu histórico, nenhum caso de ter provocado deformidade em pacientes. Todos os pacientes, antes da cirurgia, são orientados sobre as possíveis evoluções dos casos, que variam de acordo com o biótipo de cada um.

4° – Até o momento, não recebi nenhum tipo de intimação, notificação ou citação da Justiça. Mesmo assim, diante da exposição injusta e infundada, já procurei a Polícia Civil e registrei um Boletim de Ocorrência (no. 97412/2019) contra as possíveis denunciantes, com o objetivo de trazer a verdade dos fatos à tona da maneira mais rápida possível.”

Procurado, o Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF) ressaltou não haver denúncias registradas contra Rocha no órgão, mas informou que acusações do tipo “são sempre investigadas”. “Caso sejam identificados indícios de falhas por parte do profissional, ele será submetido a um Processo Ético Profissional”, finalizou o CRM-DF em nota.

 

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