Deformada, vítima do médico Wesley Murakami tirou a própria vida

Acusado de desfigurar rosto de pacientes pode ter feito mais de 40 vítimas no DF. Preso, deve ser indiciado por lesão corporal gravíssima

Material cedido ao Metrópoles

atualizado 22/12/2018 6:38

Preso pela Polícia Civil do Distrito Federal na manhã desta sexta-feira (21/12), em Goiânia (GO), o médico Wesley Noryuki Murakami pode ter feito mais de 40 vítimas no DF. Após procedimentos estéticos malsucedidos, os clientes do acusado ficaram com o rosto deformado, traumas psicológicos, e chegaram a desembolsar fortunas para fazer reparação dos danos. Em um dos casos, uma jovem que morava na capital da República tirou a própria vida, no ano passado. A família dela reside no Rio de Janeiro.

Em outro, uma fisioterapeuta jovem, bonita e com mestrado teve tromboembolia pulmonar. Após denúncias feitas por um grupo de vítimas no WhatsApp, a Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) abriu inquérito no dia 4 de dezembro e investiga 15 ocorrências contra o médico — em Goiás, são mais 14, em um total de 29.

Murakami ainda não foi indiciado. Mas poderá responder por lesão corporal gravíssima, segundo o diretor da Corf, Wislei Salomão, já que há risco de o dano causado ao corpo das vítimas ser permanente. Além disso, a mãe e uma administradora da clínica dele, que também foram presas nesta sexta (21), podem ser indiciadas por associação criminosa e por ministrar produto adulterado ou proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Murakami é acusado de aplicar nas vítimas um medicamento perigosíssimo, chamado PMMA, usado normalmente em pacientes em tratamento da Aids para gerar tônus muscular. A substância, porém, deve ser usada em pequenas quantidades. Em uma mulher, o médico teria injetado 200ml em cada mama.

Durante a Operação Dismorfia, deflagrada nesta sexta (21), a PCDF recolheu medicamentos e prontuários nas clínicas do médico, que foram levados para o Instituto de Criminalística da corporação. Os investigadores querem saber se Murakami adulterava os medicamentos.

Um mulher, também moradora de Brasília, gastou R$ 80 mil para reparar as deformidades deixadas após a aplicação de PMMA. Outra tentou se matar. “Algumas tiveram, além das consequências físicas, problemas psicológicos”, disse o delegado Wislei Salomão.

O trio preso nesta sexta (21) já está na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), ao lado do Parque da Cidade. Antes mesmo de ser preso, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) impediu Murakami de exercer a profissão. A interdição vale para todo o território nacional.

Reprodução/PCDF
Policiais da Corf apreenderam uma série de materiais hospitalares nas clínicas de Murakami
Reprodução/PCDF
Prontuários médicos de pacientes também foram apreendidos

 

Segundo o presidente do CRM-DF, Farid Buitrago, a instituição decidiu interditar cautelarmente Murakami porque houve indícios de danos físicos irreparáveis nos pacientes e para evitar que o mesmo acontecesse com outras pessoas. O Ministério Público também investiga o caso.

Nas redes sociais, o médico se apresenta como especialista em cirurgias de bioplastia e harmonização facial. Além das denúncias feitas no DF, outras seis foram registradas no 4º Distrito Policial do Estado de Goiás, segundo informou o advogado de Wesley Murakami, André Bueno.

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Além de ser acusado de deformar o rosto de dezenas de pessoas, Wesley Murakami é apontado como autor de erro médico ao realizar bioplastia nos glúteos da enfermeira de Goiânia (GO) Kellyane Fonseca, 28. Ela procurou o profissional a fim de tornear o bumbum. Murakami garantiu que o procedimento seria feito com PMMA, mas uma outra substância usada provocou queimaduras de segundo grau na mulher.

Kellyane voltou a procurar o médico, que teria se prontificado a fazer uma segunda intervenção. “Meu bumbum ficou todo irregular. Fui atrás e ele prometeu fazer outra e corrigir. Nessa nova aplicação, reclamei de dor o tempo todo, ameacei desmaiar e, a todo instante, ele me dava água com açúcar. No término, precisei usar oxigênio, pois apresentei insuficiência respiratória.”

Oito dias após a segunda cirurgia, o estado de saúde de Kellyane piorou. “Tive febre e precisei procurar um médico. Estava com infecção. Imediatamente, optaram pela minha internação, quando fiquei oito dias à base de antibióticos.”

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A defesa de Wesley Murakami afirmou que o cirurgião foi preso em casa, na capital goiana. O advogado diz que segue a delegacia em Brasília para tomar conhecimento das razões dos pedidos de prisão e, ao final do dia, emitirá uma nota esclarecendo os fatos.

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