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Brasil

Lula rebate carta de Flávio e acusa família Bolsonaro de "entreguismo"

Presidente Lula afirma que a família Bolsonaro quer "submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos"

02/07/2026 17:19, atualizado 02/07/2026 18:07
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Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao ofício enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.  Para o petista, a família Bolsonaro faz “entreguismo” e quer submeter o país aos interesses norte-americanos.

“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, afirmou Lula, em publicação nas redes sociais.

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Em ofício ao governo norte-americano, Flávio argumentou que a imposição de novas tarifas ao Brasil poderia favorecer Lula na corrida eleitoral e pediu a suspensão da sobretaxa até o pleito.

O chefe do Planalto classificou a atitude como um ato de traição à pátria.

“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.

Na publicação, o presidente também voltou a dizer que a família Bolsonaro busca “entregar o Pix a interesses estrangeiros”.

“Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, frisou.


Confira a íntegra da declaração de Lula

É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano.

Nós sempre vamos dialogar de igual para igual com qualquer nação do mundo.

Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.

O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros.

Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro.

Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele.

Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros.


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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
Determinação de Trump sobre tarifas ocorreu após reunião com Flávio Bolsonaro
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Presidente Lula (PT)
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Flávio e Lula
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Flávio e Lula

Alice Rabello

Argumentos

O documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro antecede as audiências que buscam discutir a sobretaxa de 25% do governo de Donald Trump ao Brasil. As conversas estão marcadas para a próxima segunda-feira (6/7).

Na carta, Flávio se apresenta como pré-candidato à Presidência da República e ressalta que se reuniu recentemente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar das tarifas. O parlamentar pediu que o governo Trump suspenda a aplicação de sobretaxas ao menos até a realização das eleições presidenciais no Brasil, sob consequência de favorecer a reeleição de Lula.

“Os Estados Unidos têm um interesse consolidado em não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia estrangeira nas semanas anteriores a uma eleição nacional disputada, onde a ação corre o risco de ser retratada […] como uma tentativa de influenciar o resultado”, escreveu o senador. “Adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização”, diz.

A taxa de 25% contra importações brasileiras foi sugerida no âmbito de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre práticas de comércio consideradas desleais. O governo Trump tem até 15 de julho para tomar uma decisão sobre a aplicação ou não da nova tarifa.