“Nenhum remorso”, diz mãe de adolescente assassinado sobre Pedro Turra

Familiares de Rodrigo Castanheira acompanharam nesta 2ª (25/5) audiência de instrução do acusado pela morte do adolescente de 16 anos

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 pais-rodrigo-castanheira - Foto: Reprodução

A mãe de Rodrigo Castanheira falou, após mais de 10 horas de depoimentos na audiência de instrução sobre a morte do adolescente de 16 anos, que o ex-piloto Pedro Turra não aparentou remorso pelas agressões que resultaram na morte do filho dela. A sessão aconteceu nessa segunda-feira, no Fórum de Águas Claras.

“É muito difícil olhar para ele e ver a soberba, perceber que em nenhum momento abaixou a cabeça ou demonstrou arrependimento. O tempo inteiro ele parecia acreditar que estava certo, sem qualquer remorso pelo que fez. Então, é muito doloroso saber que, por um motivo torpe, ele matou o nosso filho e ainda estava se divertindo depois da agressão”, declarou Rejane Fleury, mãe da vítima.

A audiência começou por volta de 9h.  Familiares e amigos de Rodrigo acompanharam a sessão no tribunal desde cedo.

Como Pedro Turra responde por homicídio qualificado, o procedimento segue o rito do Tribunal do Júri. Após o encerramento da instrução, caberá ao magistrado decidir se existem indícios suficientes de autoria e materialidade para que o acusado seja submetido a júri popular.

A irmã de Rodrigo também se manifestou após sair da audiência de instrução. Isabella Castanheira afirmou que fez questão de encarar o acusado durante a audiência para observar a reação dele diante do caso.

Segundo ela, Turra demonstrou frieza e desprezo ao longo do depoimento. “Eu precisava olhar na cara dele, precisava saber a reação dele quando falava”, disse.

De acordo com a familiar, o comportamento do réu chamou atenção desde a passagem pela delegacia. “Ele estava com o mesmo olhar de peixe morto. Quando falei isso, ele levantou o nariz, com uma expressão de descaso”, relatou.

A irmã de Rodrigo também afirmou que o acusado não demonstrou arrependimento em nenhum momento, nem mesmo após pagar fiança. “Não abaixou a cabeça nenhuma vez, não se arrependeu. Sempre com aquela postura fria”, declarou. Segundo a familiar, após a agressão, o homem teria saído para se divertir com amigos.

“Foi muito difícil ouvir ele dizendo que tudo não passava de uma brincadeira e que saiu de lá para brincar com os amigos. Enquanto para ele era uma brincadeira, para nós acabou com a vida da nossa família”, lamentou.

Audiência

No período da tarde, ao menos sete pessoas foram ouvidas, incluindo dois jovens apontados como amigos de Pedro Turra. Na saída, eles não falaram com a imprensa, inclusive, um deles saiu encapuzado com um moletom sobre a cabeça.

A expectativa inicial era de que nove testemunhas prestassem depoimento durante a sessão, incluindo o pai e a irmã da vítima, e o advogado da família. Segundo familiares e pessoas próximas que acompanham a audiência, ao menos seis envolvidos já teriam sido ouvidos ao longo do dia, incluindo um que atualmente mora nos Estados Unidos e teria participado remotamente.

Também estiveram na audiência o casal dono da casa onde a briga aconteceu e um dos pais de um amigo de Rodrigo. Segundo relatos do jovem e de pessoas próximas à família do adolescente, ele teria sido responsável por levar a vítima ao hospital após as agressões registradas em janeiro deste ano.

Chegada do acusado

Pedro Turra chegou ao fórum sob protestos e gritos de “justiça”. O ex-piloto de Fórmula Delta responde por homicídio qualificado pela morte do adolescente, que ficou internado por 16 dias após sofrer traumatismo craniano em uma briga ocorrida em Vicente Pires.

Durante a audiência de instrução, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do próprio réu. A etapa acontece antes da decisão da Justiça sobre levar ou não o caso a júri popular.

O ex-piloto está preso preventivamente no Pavilhão de Segurança Máxima do Complexo Penitenciário da Papuda (DF), desde 30 de janeiro de 2026. Ao menos sete pedidos de habeas corpus de Turra foram negados pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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