STJ solta homem que filmava mulheres em troca de vídeos de necrofilia
Pablo Silva Santiago foi preso em maio de 2025 após ser flagrado com conteúdo de pornografia. Solto, ele deverá cumprir medidas cautelares

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deferiu o pedido de habeas corpus e liberou o servidor público federal Pablo Silva Santiago. O réu estava preso desde maio do ano passado por ter gravado mulheres em locais públicos e privados. As mídias, inclusive, eram trocadas por conteúdos de necrofilia. O caso foi revelado pelo Metrópoles em 2025.
Na decisão, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva do investigado, mas determinou a aplicação de medidas cautelares, incluindo acompanhamento psiquiátrico e psicológico e proibição de aproximação das vítimas.
Segundo o ministro, a manutenção da prisão se tornou desproporcional diante do tempo de encarceramento e da pena prevista para o crime, estabelecida em um ano.
“Evidenciada a desproporcionalidade da manutenção da prisão diante do teto punitivo previsto e da natureza da sanção cominada, reputo adequado substituir a custódia por medidas cautelares menos gravosas, suficientes e idôneas às peculiaridades do caso, com especial atenção ao acompanhamento terapêutico recomendado”, determinou o relator.
Pablo responde pelo crime de registro não autorizado da intimidade sexual, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
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Ver todasO ministro esclareceu que a pena prevista para o crime já foi cumprida, mesmo em prisão preventiva. “Ao paciente foi imputada conduta cuja pena máxima é de 1 ano, de modo que, mesmo se considerando o patamar máximo de aumento decorrente da continuidade delitiva (2/3), o teto sancionatório não ultrapassa 1 ano e 8 meses, não se admitindo, ademais, a fixação de regime fechado para o tipo penal em questão”, ponderou na decisão.
Entenda o caso
- O caso foi denunciado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) em 2025;
- De acordo com depoimentos colhidos pela Deam, o suspeito participava de sites pornográficos e grupos no Telegram para compartilhar os arquivos em troca de vídeos de necrofilia;
- Pablo confessou o vício a uma amiga em abril daquele ano, quando a mulher descobriu a prática criminosa, e também a um amigo;
- À época, a coluna Na Mira apurou que essa pessoa próxima a Pablo – que não terá o nome divulgado para resguardar a vítima – acessou o computador dele e viu milhares de fotos e vídeos íntimos de várias mulheres;
- O conteúdo estava separado por data e nome das vítimas, e havia registros desde 2017.;
- As mídias tinham imagens das pessoas usando banheiros e também em contexto sexual;
- A pessoa percebeu que Pablo havia gravado mulheres escondidas em locais como: nas casas onde morou; no banheiro do salão da tia dele; no banheiro da casa de um amigo e também da mãe desse amigo;
- Assustada, a pessoa questionou o servidor, que justificou o material por ser viciado em pornografia;
- Naquele momento, ele mostrou a ela um HD externo com mais conteúdos, inclusive contendo imagens dela, gravados sem seu consentimento;
- Nos vídeos em que a jovem aparece, ela estava tomando banho e usando o banheiro.
- Pablo Silva Santiago foi preso em maio de 2025 e estava preso desde então.
- O processo corre em segredo de Justiça.
À época dos crimes, Pablo Santiago era servidor do Ministério da Cultura e conhecido na cidade por ser um agitador cultural. Após a revelação do caso, o Ministério da Cultura abriu um procedimento apuratório e afastou o servidor.
A defesa de Pablo não foi localizada e o espaço segue aberto para eventuais manifestações.




