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Na Mira

STJ solta homem que filmava mulheres em troca de vídeos de necrofilia

Pablo Silva Santiago foi preso em maio de 2025 após ser flagrado com conteúdo de pornografia. Solto, ele deverá cumprir medidas cautelares

18/08/2026 11:36, atualizado 19/08/2026 08:35
Reprodução
Pablo Silva Santiago

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deferiu o pedido de habeas corpus e liberou o servidor público federal Pablo Silva Santiago. O réu estava preso desde maio do ano passado por ter gravado mulheres em locais públicos e privados. As mídias, inclusive, eram trocadas por conteúdos de necrofilia. O caso foi revelado pelo Metrópoles em 2025.

Na decisão, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva do investigado, mas determinou a aplicação de medidas cautelares, incluindo acompanhamento psiquiátrico e psicológico e proibição de aproximação das vítimas.

Segundo o ministro, a manutenção da prisão se tornou desproporcional diante do tempo de encarceramento e da pena prevista para o crime, estabelecida em um ano.

“Evidenciada a desproporcionalidade da manutenção da prisão diante do teto punitivo previsto e da natureza da sanção cominada, reputo adequado substituir a custódia por medidas cautelares menos gravosas, suficientes e idôneas às peculiaridades do caso, com especial atenção ao acompanhamento terapêutico recomendado”, determinou o relator.

Pablo responde pelo crime de registro não autorizado da intimidade sexual, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. 

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O ministro esclareceu que a pena prevista para o crime já foi cumprida, mesmo em prisão preventiva. “Ao paciente foi imputada conduta cuja pena máxima é de 1 ano, de modo que, mesmo se considerando o patamar máximo de aumento decorrente da continuidade delitiva (2/3), o teto sancionatório não ultrapassa 1 ano e 8 meses, não se admitindo, ademais, a fixação de regime fechado para o tipo penal em questão”, ponderou na decisão.

Em nota, a defesa de Pablo Silva Santiago disse que não poderá discutir publicamente os fatos devido ao processo tramitar sob segredo de justiça. Sobre a concessão de habeas corpus afirmou que a decisão reconhece a “desproporcionalidade da manutenção da prisão diante da pena máxima prevista para o delito imputado”.

Em relação ao recebimento de vencimentos durante a prisão, afirmou que a prisão, por ser preventiva, não implica automaticamente perda do cargo ou suspensão de salário e que a ausência ao trabalho ocorreu por determinação judicial e que Pablo permanece à disposição da administração.

Já o Ministério da Cultura (MinC), órgão ao qual o homem é servidor, informou que a investigação aguarda o resultado de perícia da Polícia Civil do Distrito Federal e que, após a conclusão das diligências, caso os indícios sejam confirmados, serão adotadas as providências administrativas cabíveis, como instauração de processo administrativo acusatório e aplicação de sanções, inclusive de caráter expulsivo.


Entenda o caso

  • O caso foi denunciado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) em 2025;
  • De acordo com depoimentos colhidos pela Deam, o suspeito participava de sites pornográficos e grupos no Telegram para compartilhar os arquivos em troca de vídeos de necrofilia;
  • Pablo confessou o vício a uma amiga em abril daquele ano, quando a mulher descobriu a prática criminosa, e também a um amigo;
  • À época, a coluna Na Mira apurou que essa pessoa próxima a Pablo – que não terá o nome divulgado para resguardar a vítima – acessou o computador dele e viu milhares de fotos e vídeos íntimos de várias mulheres;
  • O conteúdo estava separado por data e nome das vítimas, e havia registros desde 2017.;
  • As mídias tinham imagens das pessoas usando banheiros e também em contexto sexual;
  • A pessoa percebeu que Pablo havia gravado mulheres escondidas em locais como: nas casas onde morou; no banheiro do salão da tia dele; no banheiro da casa de um amigo e também da mãe desse amigo;
  • Assustada, a pessoa questionou o servidor, que justificou o material por ser viciado em pornografia;
  • Naquele momento, ele mostrou a ela um HD externo com mais conteúdos, inclusive contendo imagens dela, gravados sem seu consentimento;
  • Nos vídeos em que a jovem aparece, ela estava tomando banho e usando o banheiro.
  • Pablo Silva Santiago foi preso em maio de 2025 e estava preso desde então.
  • O processo corre em segredo de Justiça.

À época dos crimes, Pablo Santiago era servidor do Ministério da Cultura e conhecido na cidade por ser um agitador cultural. Após a revelação do caso, o Ministério da Cultura abriu um procedimento apuratório e afastou o servidor.