MinC definirá futuro de servidor que filmou mulheres nuas após perícia
Em nota, MinC diz que as áreas competentes analisam eventual adoção de medidas ao servidor Pablo Santiago, como restrição de acesso ao local

Após o pedido de habeas corpus de Pablo Silva Santiago ter sido deferido, homem que foi preso por filmar mulheres nuas em troca de vídeos de necrofilia, o Ministério da Cultura (Minc) informou que aguarda o resultado da perícia da Polícia Civil (PCDF) para determinar as providências administrativas cabíveis contra o servidor público federal.
Em nota, o órgão afirmou que, caso os indícios sejam confirmados, poderá ser instaurado um processo administrativo acusatório e aplicadas sanções, inclusive de caráter expulsivo.
O MinC também ressaltou que as áreas competentes analisam a eventual adoção de medidas cautelares previstas em lei, entre elas a restrição de acesso às instalações do ministério.
“O MinC continuará acompanhando o caso e colaborando com as autoridades responsáveis, preservando o sigilo necessário à investigação”, concluiu em nota.
À época dos crimes, o MinC abriu um procedimento apuratório e afastou o servidor por 60 dias. No entanto, dados do Portal de Transparência do Governo Federal mostram que Pablo continuou recebendo remuneração enquanto estava preso.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFSomente neste ano, Pablo recebeu cerca de R$ 34,7 mil até o mês de junho, quando os vencimentos atingiram R$ 7,7 mil com a gratificação natalina. Não há, no entanto, informações públicas disponíveis sobre a remuneração do servidor de maio – quando ele foi preso – a dezembro de 2025.

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No início deste mês, o réu teve pedido de habeas corpus deferido pelo Superior Tribunal da Justiça (STJ). Na decisão, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva do investigado, mas determinou a aplicação de medidas cautelares, incluindo acompanhamento psiquiátrico e psicológico e proibição de aproximação das vítimas.
Segundo o ministro, a manutenção da prisão se tornou desproporcional diante do tempo de encarceramento e da pena prevista para o crime, estabelecida em 1 ano. Para o relator, a pena prevista para o crime já foi cumprida, mesmo em prisão preventiva.
“Ao paciente foi imputada conduta cuja pena máxima é de 1 ano, de modo que, mesmo se considerando o patamar máximo de aumento decorrente da continuidade delitiva (2/3), o teto sancionatório não ultrapassa 1 ano e 8 meses, não se admitindo, ademais, a fixação de regime fechado para o tipo penal em questão”, ponderou na decisão.
Pablo responde pelo crime de registro não autorizado da intimidade sexual, em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Em nota, a defesa de Pablo Silva Santiago disse que não poderá discutir publicamente os fatos devido ao processo tramitar sob segredo de justiça. Sobre a concessão de habeas corpus afirmou que a decisão reconhece a “desproporcionalidade da manutenção da prisão diante da pena máxima prevista para o delito imputado”.
Em relação ao recebimento de vencimentos durante a prisão, afirmou que a prisão, por ser preventiva, não implica automaticamente perda do cargo ou suspensão de salário e que a ausência ao trabalho ocorreu por determinação judicial e que Pablo permanece à disposição da administração.
Entenda o caso
- O caso foi denunciado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) em 2025. De acordo com depoimentos colhidos, o suspeito participava de sites pornográficos e grupos no Telegram para compartilhar os arquivos em troca de vídeos de necrofilia;
- Pablo confessou o vício a uma amiga em abril daquele ano, quando a mulher descobriu a prática criminosa, e também a um amigo. À época, a coluna Na Mira apurou que essa pessoa próxima a Pablo acessou o computador dele e viu milhares de fotos e vídeos íntimos de várias mulheres;
- O conteúdo estava separado por data e nome das vítimas, e havia registros desde 2017. As mídias tinham imagens das pessoas usando banheiros e também em contexto sexual;
- A pessoa percebeu que Pablo havia gravado mulheres escondidas em locais como: nas casas em que morou; no banheiro do salão da tia dele; no banheiro da casa de um amigo e também da mãe desse amigo;
- Assustada, a testemunha questionou o servidor, que justificou o material alegando vício em pornografia. Naquele momento, ele mostrou a ela um HD externo com mais conteúdos, inclusive contendo imagens dela, gravados sem seu consentimento;
- Nos vídeos em que a jovem aparece, ela estava tomando banho e usando o banheiro.
- Pablo Silva Santiago foi preso em maio de 2025 e estava detido desde então.
- O processo corre em segredo de Justiça.



