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Servidor do alto escalão de ministério esculacha caseiro após demissão: “Analfabeto”

Servidor que ocupa alto escalão na Esplanada é acusado de atacar dignidade de ex-caseiro. Caso foi parar na Justiça

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
homem de terno
1 de 1 homem de terno - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Uma série de humilhações que chegou a virar caso de polícia e evoluiu para uma batalha travada na Justiça do trabalho veio à tona com o vazamento de áudios atribuídos a um servidor do alto escalão do governo federal. “Você é um analfabeto, sim. Você não conhece a lei. Você é burro pra caralho”.

As palavras, carregadas de desprezo, não saíram de uma discussão de rua, mas do celular de Diogo da Fonseca Tabalipa (foto em destaque), atual subsecretário de Gestão Estratégica, Tecnologia e Inovação do Ministério dos Transportes. O alvo das ofensas foi um ex-caseiro que trabalhava em sua chácara, em Planaltina.

O vazamento de áudios de visualização única enviados pelo WhatsApp revela um “rosário de humilhações” pelo alto funcionário público contra um trabalhador rural. Nas gravações, Tabalipa utiliza a posição de superioridade intelectual e financeira para intimidar o ex-empregado, que admite ter dificuldades com a leitura e a escrita.

Em uma sequência de ataques verbais, o subsecretário não poupou termos degradantes e ameaças de asfixia financeira: “Você mesmo falou que não sabe ler e escrever, tá querendo discutir comigo, idiota? Você não tem direito a nada, você tem direito a se foder, tá bom?”

Ameaça de bloqueio

Tabalipa ainda ameaçou utilizar seu aparato jurídico para bloquear as contas bancárias do trabalhador e de sua esposa: “Eu vou bloquear a sua conta, todo o dinheiro que cair na sua conta e na conta da sua mulher… Eu quero ver o que você vai fazer”. O tom de voz, que varia entre a exaltação e uma calma cínica, reforça o uso do conhecimento jurídico como arma: “Como não sabe ler, não sabe o que assinou”, provocou o servidor.

O episódio, ocorrido há cerca de um ano, teve desfechos distintos nas esferas judicial e policial:

  • Esfera criminal: o caso chegou a ser registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mas acabou arquivado, não gerando punições imediatas ao subsecretário no âmbito penal.
  1. Esfera trabalhista: O cenário mudou em fevereiro deste ano. O judiciário trabalhista proferiu uma decisão favorável ao ex-caseiro, reconhecendo seus direitos e desmentindo a tese de Tabalipa de que o funcionário “não teria direito a nada”.

Violência psicológica

Ao ser procurado, o caseiro alvo dos ataques reforçou que o ataque transborda a esfera de uma simples disputa trabalhista. “Eu não pensava em entrar na Justiça, mas quando ele me xingou e ameaçou a minha família, mudei de ideia”.

Procurado pela coluna, Diogo Tabalipa afirmou que “não teve tempo” de responder aos questionamentos da reportagem e que enviaria sua manifestação sobre o caso no decorrer da manhã desta terça-feira (31/3).

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