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Motorista de app ajudou jovem estuprada por policial fake a fazer BO
Desorientada e com dificuldade para entrar no carro, a vítima perguntou as horas e o dia da semana; motorista a levou a delegacia
atualizado
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O motorista de aplicativo que atendeu uma jovem de 23 anos vítima de estupro cometido por um falso policial no em Águas Claras (DF) foi fundamental para que o crime fosse denunciado às autoridades.
Ao entrar no carro, a mulher aparentava estar desorientada, tremendo e com dificuldade para se expressar.
Segundo o boletim de ocorrência, a corrida havia sido solicitada no aplicativo em nome de André — o mesmo homem apontado pela vítima como autor do crime.
Ao chegar ao local indicado, o motorista encontrou a jovem encostada em outro veículo. Quando a chamou pelo nome que aparecia na solicitação, ela se aproximou e perguntou se a corrida seria para Ceilândia (DF), destino indicado no app.
O condutor percebeu que a passageira estava confusa e não parecia saber exatamente para onde estava indo. No momento em que tentou entrar no carro, a jovem teve dificuldade para localizar a maçaneta da porta e comentou que não enxergava bem.
Já dentro do veículo, perguntou as horas e o dia da semana. Quando ele respondeu que eram 21h de quarta-feira (11/3), ela demonstrou surpresa com a resposta, pois o último momento que se recordava era a noite de terça (10/3), quando havia ingerido uma bebida oferecida pelo suspeito e apagou.
Preocupado, o motorista decidiu procurar ajuda e entrou em contato com uma viatura da polícia. Ele foi orientado a levar a jovem diretamente a uma delegacia.
O condutor, então, seguiu para a 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), onde o caso foi registrado e passou a ser investigado pelas autoridades.
De acordo com a Polícia Civil, “desde o primeiro momento, foram adotadas medidas prioritárias de atendimento à vítima, incluindo acolhimento, encaminhamento para medicação, preservação de vestígios e realização de exames periciais cabíveis”.
A PCDF também informou que o suspeito ainda não foi localizado e que a delegacia responsável pelo caso, a 21ª DP (Taguatinga Sul), instaurou inquérito policial, que tramita com prioridade.
Dopada por 24h
- Segundo o relato da vítima, durante o encontro em uma lanchonete, o homem ofereceu um refrigerante. Após beber, ela começou a se sentir grogue.
- Ao falar que ia embora, o homem sugeriu levá-la para a casa dela. Ela se recusou, e disse que pediria um carro de aplicativo.
- Depois disso, afirmou que não se lembra de mais nada. Apenas que acordou nua na cama do policial fake, em Águas Claras (DF).
Encontro marcado como oferta de trabalho
Em entrevista ao Metrópoles, a vítima relatou que o contato com André começou depois que uma amiga conheceu o homem em um aplicativo de relacionamentos.
Ele se apresentava como policial e exibia fotos fardado. Durante as conversas, surgiu o tema trabalho, e a amiga informou que a jovem estava em busca de emprego. André se ofereceu para ajudar.
A vítima, que está no Distrito Federal para estudar direito, explicou que tinha experiência em vendas e procurava uma oportunidade. André perguntou se ela tinha interesse em trabalhar em uma empresa ou montar um negócio e marcou um encontro, alegando uma suposta entrevista, para as 20h em uma lanchonete de Águas Claras.
Ela relatou que o suspeito chegou cerca de uma hora atrasado, usando camisa camuflada e afirmando que estava de viatura. Durante o encontro, pediu refrigerante para ambos, e, em determinado momento, ofereceu a própria bebida à vítima. Foi após consumir o líquido que ela começou a passar mal e perdeu os sentidos.
Histórico de processos
A coluna Na Mira apurou que André responde a processos no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) relacionados a violência contra a mulher e ao uso de uniforme de forma ilegítima.
Em janeiro deste ano, ele foi acusado de violência doméstica e lesão corporal, no âmbito da Lei Maria da Penha. Em fevereiro de 2026, passou a responder por uso ilegítimo de uniforme ou distintivo.




