Prisão de fono por estupro leva a pedido por câmeras em clínicas. Veja vídeo
O Movimento do Orgulho Autista Brasil (Moab) defende a instalação de câmeras de segurança em clínicas onde são realizadas as terapias
atualizado
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Após a prisão do fonoaudiólogo Thiago Oliveira Lima, de 37 anos, acusado de estuprar uma criança autista de 4 anos, o Movimento do Orgulho Autista do Brasil (Moab) defendeu a instalação de câmeras em clínicas que oferecem terapias para pacientes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Veja:
“O Moab pede para o Congresso Nacional reativar a discussão do Projeto de Lei que obriga as clínicas a colocarem câmeras, para que as famílias e pessoas possam acompanhar como está sendo o seu atendimento e o atendimentos dos filhos, das crianças e dos adolescentes, dentro dessas terapias”, afirmou o presidente do Moab, Edilson Barbosa.
“Nós não podemos aceitar esse tipo de situação. Seu filho, sua filha entra para o consultório e você não sabe o que está acontecendo. Não vamos admitir esse crime”, acrescentou.
De acordo com Barbosa, a maior preocupação é com as meninas autistas não verbais, por não terem a capacidade de fala para expressar os abusos.
Após a repercussão do caso, a delegada responsável pelo caso relatou que os pais de outras três vítimas de 2, 5 e 8 anos registraram boletim de ocorrência na 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul).
De acordo com Elizabeth Frade, duas mães falaram do comportamento dos filhos logo após saírem das consultas:
“Bem apreensivas, em estado de crise, chorando bastante”.
Imagens:
Segundo a delegada, inicialmente, as mães não conseguiam perceber do que se tratava. Ao verem as reportagens, elas chegaram à conclusão de que poderia ter ocorrido algum abuso [com os filhos delas].
Uma das mães, inclusive, questionou a criança depois de ver a reportagem. Ao questionar o filho, a mãe obteve o relato de que havia ocorrido abuso durante a sessão.
Outra mãe relata ainda que, ao buscar o filho, surpreendeu o investigado com uma criança no colo (que não era o dela), o que gerou desconforto e desconfiança nela.
Antes mesmo da operação, as denúncias apontaram que vários pais desmarcavam consultas com ele. As novas ocorrências serão apuradas, e as crianças e os pais ainda serão ouvidos.
Em nota, o Conselho Regional de Fonoaudiologia da 5ª Região, que abrange o Distrito Federal, informou que repudia qualquer conduta que viole a dignidade, a integridade e os direitos de pacientes, especialmente quando envolve crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Detalhes do caso:
- Thiago foi preso nessa quarta-feira (11/3) por policiais civis da Seção de Atendimento à Mulher (SAM).
- No momento da captura, com o uniforme, o fonoaudiólogo saía para trabalhar em uma clínica especializada no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
- A operação foi deflagrada após uma denúncia detalhada feita pela mãe da vítima.
- Segundo o relato, a suspeita surgiu no mesmo dia do atendimento, quando a mãe encontrou um fio de cabelo na fralda da criança e estranhou as condições das vestimentas.
O crime e a prova pericial
A primeira vítima, uma criança de 4 anos, que é autista não verbal, não pôde relatar o ocorrido, mas os exames periciais realizados pela PCDF trouxeram provas contundentes.
- Vestígios biológicos: a perícia constatou a presença de espermatozoides nas roupas usadas pela criança durante a sessão com o fonoaudiólogo.
- Confronto genético: diversos pontos com material genético foram coletados e serão submetidos a exames de DNA para confirmar a compatibilidade com o suspeito.
A prisão do autor foi feita na residência dele, onde foram apreendidos computador, aparelho celular e materiais para confronto genético. Além da prisão preventiva, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão na casa de Thiago Oliveira Lima e na clínica onde os atendimentos eram realizados.
O objetivo é analisar o conteúdo dos aparelhos eletrônicos e buscar novas evidências que possam indicar outras vítimas.






