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Grupo usava senha de servidora do Detran-DF para transferir carros. Veja vídeo
Operação deflagrada nesta terça (26/5) mira grupo que fazia transferências irregulares de carros; foram identificadas mais de 600 transações
atualizado
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Policiais civis da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) cumprem, nesta terça-feira (26/5), cinco mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão contra integrantes de organização criminosa responsável por acessos indevidos aos sistemas do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).
As diligências são realizadas em Brasília (DF), Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS), além do cumprimento de medidas de sequestro de valores.
A ação, denominada Ghost Operator, conta com o apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul. As investigações tiveram início há cerca de um ano, após uma vítima identificar que seu veículo havia sido transferido fraudulentamente para outro proprietário.
Ao procurar o Detran-DF, foi instaurada apuração interna que constatou mais de 600 transações irregulares realizadas com a matrícula funcional de uma servidora, inclusive em horários em que ela não estava em expediente.
A própria servidora compareceu à delegacia para registrar ocorrência, dando início a uma investigação conjunta entre a Polícia Civil e o Detran-DF. As apurações identificaram acessos externos irregulares ao sistema do órgão, utilizados para realizar transferências fraudulentas de veículos.
Segundo as diligências policiais, o grupo criminoso cadastrava processos de transferência sem a documentação exigida ou utilizando documentos adulterados, promovendo posteriormente a aprovação fraudulenta dos procedimentos por meio de acessos indevidos ao sistema. Durante o período investigado, o grupo criminoso movimentou aproximadamente R$ 1 milhão.
A coluna Na Mira acionou o Detran, que, até a publicação desta matéria, não havia respondido. O espaço segue aberto para manifestações.
Cobrança de R$ 2 mil pela transação fraudulenta
Em janeiro deste ano, foi deflagrada a primeira fase da operação. A análise do material apreendido permitiu identificar a estrutura e o funcionamento do esquema, que seria liderado por um servidor do Detran-DF.
O grupo contava com a participação de despachantes responsáveis por captar interessados nos serviços ilícitos, cobrando cerca de R$ 2 mil por cada transação fraudulenta. Os valores eram depositados na conta bancária da esposa do servidor investigado, apontado como responsável pela efetivação das alterações irregulares com o auxílio de terceiros.
Inicialmente, o esquema utilizava a senha funcional da servidora que registrou a ocorrência. Após a perda desse acesso, os investigados teriam criado usuários “fantasmas”, sem qualquer vínculo com o órgão, mas com permissão para inserir dados indevidos no sistema.
Além das transferências fraudulentas de veículos, a polícia identificou a retirada irregular de restrições administrativas e multas. Durante o período investigado, o grupo criminoso movimentou aproximadamente R$ 1 milhão.
Os investigados foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de capitais e falsidade ideológica.