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Servidor do Detran e esposa operavam esquema milionário de fraudes. Veja vídeo

Servidor teria cooptado a própria esposa e despachantes para fraudar transferências de carros. O grupo cobrava cerca de R$ 2 mil

atualizado

metropoles.com

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Jacqueline Lisboa/Metrópoles
Brasília (DF), 06/03/2020. Novo diretor-geral do Detran-DF, Zélio Maia da Rocha. Foto: Jacqueline Lisboa/Especial para o Metrópoles
1 de 1 Brasília (DF), 06/03/2020. Novo diretor-geral do Detran-DF, Zélio Maia da Rocha. Foto: Jacqueline Lisboa/Especial para o Metrópoles - Foto: Jacqueline Lisboa/Metrópoles

A Operação Ghost Operator, conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), identificou um servidor do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) como suposto líder de esquema milionário de fraudes em transferências de veículos. O grupo também atuava na remoção irregular de multas e restrições administrativas do sistema. Segundo o delegado Thiago Boeing, o servidor teria cooptado a própria esposa e despachantes para captar interessados nos serviços ilícitos.

Veja:

O grupo cobrava cerca de R$ 2 mil por cada transferência fraudulenta. Os valores eram depositados na conta bancária da esposa do servidor, apontado como responsável por efetivar as alterações irregulares com o auxílio de terceiros. 

O Detran-DF informou que descobriu a fraude a partir de “procedimentos de monitoramento interno, cruzamento de informações de segurança”.

“A própria autarquia realizou apuração administrativa inicial que contribuiu para a identificação de transações irregulares e para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil”, informou em nota (veja mais abaixo).

 Operação Ghost Operator

A operação policial foi deflagrada nesta terça-feira (26/5). Ao todo, estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa responsável por acessos indevidos aos sistemas do Detran-DF.

As diligências ocorrem em Brasília (DF), Valparaíso (GO), Teresina (PI) e Santiago (RS), além do cumprimento de medidas de sequestro de bens e valores. A ação conta com apoio das polícias civis do Piauí e do Rio Grande do Sul. As investigações começaram há cerca de um ano, após uma vítima descobrir que seu veículo havia sido transferido fraudulentamente para outro proprietário.

Mais de 600 transações irregulares

Apuração interna do órgão identificou mais de 600 transações irregulares realizadas com a matrícula funcional de uma servidora, inclusive em horários em que ela não estava em expediente.

A servidora procurou a delegacia para registrar ocorrência, dando início a uma investigação conjunta entre a Polícia Civil e o Detran-DF. As apurações apontaram acessos externos indevidos ao sistema do órgão, utilizados para efetivar transferências fraudulentas de veículos.

De acordo com as investigações, o grupo cadastrava processos de transferência sem a documentação exigida ou mediante uso de documentos adulterados. Em seguida, os procedimentos eram aprovados de forma fraudulenta por meio de acessos irregulares ao sistema. As diligências apontam que a organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 1 milhão.


Mais detalhes: 

  • Em janeiro deste ano, a primeira fase da operação foi deflagrada.
  • A análise do material apreendido permitiu identificar a estrutura e o funcionamento do esquema, supostamente liderado pelo servidor do Detran-DF.
  • Inicialmente, os investigados utilizavam a senha funcional da servidora que registrou a ocorrência.
  • Após perderem esse acesso, teriam criado usuários “fantasmas”, sem vínculo com o órgão, mas com permissão para inserir dados indevidos no sistema.
  • Além das transferências fraudulentas de veículos, as investigações identificaram a retirada irregular de restrições administrativas e multas.

Os investigados foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O que diz o Detran-DF

O Detran-DF esclareceu que identificou transações irregulares a partir de procedimentos internos e atuou juntamente com a Polícia Civil do DF.

“A autarquia contribui ativamente com as apurações, fornecendo informações técnicas, registros de acesso e elementos de rastreabilidade que auxiliaram na identificação de padrões de invasão e dos endereços de origem das conexões fraudulentas”, informou a nota.

O Detran esclarece que adota medidas de fortalecimento de segurança e revisa constantemente os perfis de acesso. Afirma ainda que, em caso de envolvimento de servidores, “são adotadas medidas administrativas imediatas, como afastamento do setor de origem e bloqueio de acessos aos sistemas institucionais. Além disso, o servidor poderá responder a Processo Administrativo Disciplinar (PAD)”.

O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, destaca que a atuação integrada entre os órgãos de segurança pública foi fundamental para o avanço das investigações. “Estamos atentos e trabalhando em conjunto com a Polícia Civil para identificar os responsáveis por essas ações criminosas”, afirmou.

 

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