Irmãos de vítima do acidente no Eixão: “Não perdoamos esse bandido”

Família da diarista Gizelda Mota disse esperar que Paulo Bras de Oliveira Júnior, preso do saidão causador da tragédia, seja punido

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 14/08/2018 13:33

O corpo de uma das três vítimas do acidente do Eixão Sul, ocorrido no sábado (11/8) e provocado por um detento que estava no saidão de Dia dos Pais, foi velado e sepultado na manhã desta terça-feira (14) no Cemitério Jardim da Consolação, em Luziânia (GO). O clima entre parentes e amigos de Gizelda da Silva Mota, 39 anos, era de dor e revolta.

Os familiares contam que Gizelda saiu de casa na manhã de sábado (11), no Jardim Ingá, em Luziânia, para fazer uma faxina em uma casa na W3 Sul. Após terminar o serviço, decidiu pegar uma carona com Márcio Barbosa Oliveira, seu amigo, até a Rodoviária do Plano Piloto. No terminal, pretendia pegar um ônibus para o Entorno do DF.

Os familiares de Gizelda a esperavam para preparar a festa do Dia dos Pais. A diarista não chegou e, no domingo (12), os irmãos entraram em contato com a família para a qual ela havia feito a faxina. Foi aí que ficaram sabendo da tragédia. “A minha irmã não merecia morrer assim. Uma mulher maravilhosa. Pai e mãe para as crianças dela (uma menina de 15 e um bebê de um ano)”, disse o bombeiro hidráulico Reinaldo da Silva Mota, 46.

De acordo com o irmão de Gizelda, a mulher era amiga de todos, religiosa e caridosa. “Estamos destruídos com a partida dela. A saudade estará sempre presente em nossos dias e até o fim da vida”, disse Reinaldo.

Além dele, a diarista deixa mais quatro irmãs. Entre elas, a vendedora Raimunda Meire da Silva Mota, 43. “Não conseguimos aceitar essa morte. Não há como perdoar esse criminoso que matou inocentes e permaneceu vivo. O nosso maior receio é de que ele volte às ruas e cometa mais atrocidades na vida de outras famílias”, ressaltou, durante o velório.

Raimunda conta que Gizelda morreu a caminho de casa com o propósito de fazer um bolo para o patriarca da família, o aposentado José Ferreira Mota, 67. “Além de comemorar o Dia dos Pais, também faríamos a celebração do aniversário dele [no domingo]. Ficaram todos perdidos com essa notícia. Esperamos justiça. A única coisa que pedimos é para que não haja impunidade para esse bandido”, frisou a irmã.

A filha de Gizelda passou mal durante o enterro e precisou ser amparada pelos parentes. O pai da vítima estava inconsolável. Ele disse que o sentimento é de tristeza profunda. “Não há como expressar a dor de perder uma filha”, afirmou.

Crime
Gizelda pegava carona com Márcio Barbosa Oliveira, 52, em uma Kombi. O homem trabalhava na Tarot Dona Dayane, com sede na W3 Sul. Eles foram atingidos por um Mitsubishi TR4 branco, conduzido pelo assaltante, e morreram no local. O corpo de Gizelda foi identificado no domingo (12).

O acidente foi provocado por Paulo Bras de Oliveira Júnior, 23. Segundo a Polícia Militar, o homem roubou o relógio de uma mulher na 505 Sul quando foi visto por policiais. Para fugir, o criminoso fez tia e sobrinho, de 6 anos, reféns, ao roubar o Mitsubishi TR4 que minutos depois bateu de frente com o carro onde estavam as vítimas.

Desgovernada, a Kombi colidiu com outro veículo, um Ford Ecosport, no qual havia cinco ocupantes. As pessoas que estavam na Ecosport foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros e encaminhadas ao Instituto Hospital de Base (IHB). Entre elas, uma criança de 7 anos.

Um outro ocupante, Manoel José de Sá, 73, foi internado em estado grave. Morreu nessa segunda-feira (13). “Eles voltavam de um casamento, felizes, quando o bandido resolveu fazer uma manobra no Eixão e passar para o outro lado. Foi um milagre eles terem saído com vida”, disse uma amiga da família do idoso.

Em audiência de custódia realizada na manhã de segunda (13), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o juiz da 1ª Vara Criminal de Brasília Aragonê Nunes converteu em preventiva a prisão em flagrante de Paulo Bras de Oliveira Júnior. Com isso, o bandido perde o benefício do semiaberto.

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