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Distrito Federal

Irmã de vítima do Eixão: "Se Justiça fosse rígida, ele estaria aqui"

Márcio Barbosa morreu quando Kombi que dirigia foi atingida por TR4 conduzido por beneficiado com saidão de Dia dos Pais, no sábado (11/8)

Bruno Medeiros13/08/2018 11:53, atualizado 13/08/2018 13:27
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JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles
Irmã de vítima do Eixão: “Se Justiça fosse rígida, ele estaria aqui”

“Se a Justiça fosse rígida, meu irmão ainda estaria aqui.” O desabafo de Saura Barbosa da Silva, 46 anos, deu a tônica no enterro de Márcio Barbosa de Oliveira, 52, no Cemitério de Planaltina, na manhã desta segunda-feira (13/8). Ele foi uma das vítimas do grave acidente automobilístico ocorrido no Eixão Sul, no fim da tarde de sábado (11), causado por um preso beneficiado com o saidão do Dia dos Pais.

A cerimônia do funeral foi íntima e reuniu cerca de 20 pessoas, entre familiares e amigos de Márcio. Por causa do estado em que se encontrava o corpo, ele foi sepultado em caixão fechado. Durante o enterro, a mãe dele, Beatriz Barbosa de Oliveira, estava muito emocionada e precisou ser amparada.

“Eu estava na festinha da minha neta quando meu irmão chegou e me contou. No primeiro momento, não acreditei. O sentimento é de revolta. Minha mãe vai fazer 80 anos e está passando por isso”, completou Saura, enquanto buscava confortar dona Beatriz.

A segunda vítima do acidente foi Giselda da Silva Mota, 39 anos. Assim como Márcio, ela morreu na hora da batida frontal com o veículo dirigido por Paulo Bras de Oliveira Júnior, 23.

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Acidente
A Kombi que Márcio dirigia se chocou frontalmente contra o Mitsubishi TR4 branco, conduzido por Paulo Bras de Oliveira Júnior, 23, que havia roubado o veículo e feito a motorista e o sobrinho dela, de 6 anos, reféns. Paulo foi beneficiado com o saidão de Dia dos Pais e deixou o presídio onde estava detido na manhã de sexta-feira (10).

Em audiência de custódia realizada na manhã desta segunda-feira (13), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o juiz da 1ª Vara Criminal de Brasília Aragonê Nunes converteu em preventiva a prisão em flagrante de Paulo Bras, acusado de manter duas pessoas reféns, fugir da polícia, perder o controle do carro e provocar o acidente.

Revolta
A família de Márcio está revoltada com a situação. Estudante de enfermagem e sobrinha da vítima, Bárbara de Moura, 25 anos, relembrou as qualidades do tio. “Eu estava em casa e meu irmão chegou com meu primo contando o que havia acontecido. Na hora do baque, a gente fica até sem reação. Meu sentimento é de revolta, pois perder alguém da família dessa forma, por conta de um bandido. Meu tio era muito brincalhão, engraçado. Era uma pessoa boa e que vai fazer falta”, lamentou.

A professora Gisele Barbosa da Silva, 26, sobrinha de Márcio, desabafou. “O que nos revoltou foi o fato de ele ter sido morto por um delinquente que estava no saidão. Não foi um acidente de trânsito, mas sim um homicídio doloso. Espero que ele fique preso por muito tempo e não ganhe qualquer benefício. Bandido tem que ficar preso. Se ele ficar a eternidade lá, não vai reparar a morte do meu tio. Quero justiça”, disse.

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