Ibaneis critica proibição de reabertura do comércio: “Tiraram meus poderes”

Governador do DF disse que não pode mais dar previsão de retomada das atividades no DF por causa de "uma intervenção indevida"

atualizado 22/06/2020 16:21

homensRafaela Felicciano/Metrópoles

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), voltou a reclamar, nesta segunda-feira (22/06), da decisão da juíza federal titular da 3ª Vara Federal Cível do DF, Kátia Balbino de Carvalho Ferreira, de proibir a reabertura de atividades não essenciais. Na entrada do evento Agro+, ele disse que não pode dar mais previsões para setores que estão fechados.

“No exato momento, quem diz sobre abrir ou fechar qualquer coisa é a Justiça Federal, pois uma juíza da 3ª Vara entendeu que eu não posso mais decidir. Tiraram meus poderes, uma intervenção indevida do Poder Judiciário”, reclamou Ibaneis.

A sentença foi publicada na noite de sábado (20/06) e a magistrada deu 10 dias para apresentação de gráfico atualizado sobre o percentual de isolamento no DF e planejamento com critérios técnico-científicos que embasem medidas de abertura de novas atividades não essenciais, incluindo cronograma de liberação.

O governador confirmou ter pedido à Procuradoria-Geral do DF para recorrer da decisão. E afirmou que não estava trabalhando com a reabertura do comércio, mas com mais leitos. “O prazo previsto seria do dia 25 (de junho) a 1º (de julho), mas de acordo com a quantidade de leitos que nós tivermos pra atender a população”, explicou.

Ele afirmou que a decisão da juíza foi em cima de um decreto que ele ainda não assinou. “Não tem um decreto, tem só uma vontade e estudos. Então, como ela está tendo tempo para decidir no nada, eu estou estudando, continuo meus estudos tranquilamente.”

Manifestações na Esplanada

Após fechar a Esplanada dos Ministérios na semana passada por causa das manifestações que tiveram como bandeira pedidos anti-democráticos, como o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, Ibaneis avaliou como positiva a experiência do último fim de semana.

Segundo ele, as manifestações não cometeram excessos como os registrados anteriormente, com fogos de artifício disparados contra a sede do STF e, por esse motivo, considera manter a liberação. “As manifestações foram pacíficas e, continuando assim, de forma pacífica e sem ofensa a qualquer um dos Poderes, certamente, ela vai permanecer aberta”, opinou.

Ainda sobre assuntos relacionados ao governo federal, Ibaneis foi perguntado se as relações entre o GDF e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ficaram abaladas após a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do atual senador Flávio Bolsonaro. “Não tenho nenhum problema com o presidente, pelo contrário: tenho muito carinho e respeito bastante”, disse.

De acordo com o governador, todo o caso Queiroz diz respeito apenas ao filho do presidente. “Um dos principais artigos da Constituição é que a pena não ultrapassa a pessoa que cometeu o crime. Essa relação entre Flávio e Queiroz precisa ser bastante esclarecida para que a gente não tenha uma criminalização da postura do presidente com seus filhos”, finalizou.

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