Morador é algemado após usar piscina de condomínio no Bay Park
Homem diz que desconhecia a restrição de acesso após mudança de gestão do hotel; PMDF afirma que ele resistiu à condução

Um morador dos flats do Bay Park, na Vila Planalto (DF), foi algemado e levado à delegacia após permanecer na piscina e na área de lazer do complexo durante uma restrição temporária de acesso imposta pela administração do Goldmen Business Hotel. O caso ocorreu em 4 de junho, feriado de Corpus Christi.
Em vídeo cedido ao Metrópoles, a esposa de Yuri registra o momento em que ele é colocado à força no camburão. Nas imagens, ele pergunta aos policiais: “Estou sendo preso por quê?”. Um dos militares responde: “Desobediência.”
A medida foi adotada após a empresa assumir a gestão do hotel por meio de um contrato de arrendamento, modalidade que transfere a administração e a exploração comercial do empreendimento, sem alterar a propriedade do imóvel.
Yuri Alves Pereira, 41 anos, conta que alugou um apartamento nos flats em fevereiro deste ano e que a possibilidade de utilizar a piscina e a área do lago foi um dos fatores decisivos para fechar o contrato.
“Quando aluguei o apartamento, foi justamente por causa da área de lazer, para desfrutar de feriados como aquele. Entramos sem qualquer dificuldade pelo acesso lateral, que estava aberto e sem placas informando qualquer restrição.”

Segundo Yuri, ele acreditava que a mudança ocorrida em abril representava apenas uma troca de administração e nunca foi comunicado formalmente sobre alterações nas regras de uso das áreas comuns.
Por volta das 17h, funcionários informaram que, em razão do arrendamento, moradores dos flats não poderiam utilizar a piscina nem a área do lago naquele dia. “Expliquei que não sabia dessa mudança, eles entenderam a situação e informei que já estava indo embora. Pensei que estava tudo bem”.
Pouco depois, duas viaturas do 6º Batalhão da Polícia Militar foram acionadas após a administração alegar invasão de propriedade privada.
O que diz a PMDF
Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou que foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender a ocorrência. Segundo a corporação, os policiais ouviram as versões apresentadas pelas partes e o administrador de um dos blocos afirmou que a área era de uso exclusivo de moradores e hóspedes, enquanto Yuri alegou ter direito de acesso por possuir contrato firmado antes da mudança na administração do complexo.
A PMDF afirmou que tentou resolver a situação no local, mas disse que o morador se recusou a acompanhar a equipe até a delegacia. “A equipe policial tentou mediar o conflito, mas um dos envolvidos recusou-se a cumprir a determinação de acompanhar os policiais até a delegacia para o registro da ocorrência. Diante da resistência, foi necessária a condução para a 5ª DP”, informou.
A corporação acrescentou que, durante os procedimentos na delegacia, o morador “proferiu ofensas e ameaças contra integrantes da guarnição” e disse que a apuração do caso ficou sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O Metrópoles também procurou a administração do Golden Business Hotel para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
O morador afirma que, ao chegar à delegacia, foi informado de que não estava preso e acabou sendo liberado após o registro da ocorrência.



