Honestidade. Sem caixa em lanchonete, clientes calculam e pagam conta

A dinâmica é simples: a pessoa vai até o espaço, escolhe o que deseja, faz a conta e deixa o valor cobrado pelos produtos em uma caixinha

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Andre Borges/Especial para o Metrópoles
Restaurante Boneco confiança
1 de 1 Restaurante Boneco confiança - Foto: Andre Borges/Especial para o Metrópoles

A corrupção está presente no nosso dia a dia nas mais variadas formas e o combate a essa prática começa com pequenas ações. Pensando nisso, a administradora e proprietária do Boneco Restaurante, Renata Lara de Oliveira, 28 anos, resolveu apostar na honestidade e dar um voto de confiança aos seus clientes.

Ela e seu marido, Guilherme Barnabé Lima, 29, tiveram a ideia de inovar o sistema de cobrança da conta em dois dos quatro estabelecimentos que ela administra no Distrito Federal.

As lanchonetes funcionam em um box de crossfit e em um cursinho pré-vestibular, ambos na Asa Sul. Nos negócios, os próprios compradores pegam a mercadoria, calculam o quanto gastaram e pagam a conta sozinhos, sem ajuda de funcionários.

“No KOR Crossfit atuamos integralmente com o autosserviço. Já no cursinho pré-vestibular Apoio Singular, parcialmente. Durante um período do dia, há uma funcionária, mas como a lanchonete fica aberta o tempo todo, nos horários sem atendente os consumidores podem se servir”, explica Renata.

A dinâmica é simples: o cliente vai até o espaço, escolhe o que deseja, faz a conta e deixa o valor cobrado pelos produtos em uma caixinha. O pagamento pode ser feito pela máquina de cartões de débito e crédito, dinheiro ou por transferência bancária.

Mensagens que foram afixadas nas portas dos dois estabelecimentos trazem o aviso: “Nosso desempenho é o reflexo das nossas atitudes. Então escolha, pague você mesmo de acordo com as orientações e saboreie essa experiência.”

Ainda há informações sobre como usar. “Estamos em autosserviço? Escolha seu consumo, anote no ‘caderno de saídas’ conforme especificações e efetue o pagamento”, esclarece o anúncio.

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Camila Queiroz, recepcionista do pré-vestibular Apoio Singular
Alysson Tomizawa é dono do KOR Crossfit, onde a iniciativa está presente. Ele aprova o modelo
Consumidores anotam o que pegam...
... calculam o quanto gastaram e pagam a conta sozinhos
Unidade da lanchonete no box de Crossfit
Renata e Guilherme: donos do Boneco Restaurante
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Renata e Guilherme: donos do Boneco Restaurante

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Camila Queiroz, recepcionista do pré-vestibular Apoio Singular
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Camila Queiroz, recepcionista do pré-vestibular Apoio Singular

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Alysson Tomizawa é dono do KOR Crossfit, onde a iniciativa está presente. Ele aprova o modelo
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Alysson Tomizawa é dono do KOR Crossfit, onde a iniciativa está presente. Ele aprova o modelo

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Consumidores anotam o que pegam...
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Consumidores anotam o que pegam...

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... calculam o quanto gastaram e pagam a conta sozinhos
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... calculam o quanto gastaram e pagam a conta sozinhos

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Unidade da lanchonete no box de Crossfit
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Unidade da lanchonete no box de Crossfit

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"Escolha e pague na maquininha", diz aviso
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"Escolha e pague na maquininha", diz aviso

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Ao explicar como funciona o esquema, a proprietária conta que tudo aconteceu por acaso.

No início, começou como um teste. Acredito que as pessoas gostaram da gente confiar nelas e isso criou uma relação intensa e diferente. O que fazemos é dar a oportunidade para todos exercerem sua honestidade, e isso tem dado muito certo. Essa prática adotada aqui, mais do que algo comercial, serve também como espelho

Renata Lara de Oliveira

Contramão
Segundo Guilherme, a iniciativa vai na contramão da desconfiança. “Para a gente, ainda vale a pena confiar na boa-fé das pessoas. Não há ninguém vigiando. Nem funcionários e nem câmeras. Contamos somente com a consciência dos próprios consumidores.”

Ele diz ainda que, em cerca de seis meses de atendimento nesse modelo, a média de honestidade tem superado as expectativas do casal. “No início, havia uma margem de esquecimento que também veio melhorando com o passar dos dias. As pessoas ainda estão entendendo como funciona o esquema.”

Para os frequentadores dos lugares, o diferencial é o clima de confiança recíproca. “Além de ser uma tendência do mundo atual e moderno, é uma prática que ajuda a fidelizar o cliente. Isso dá mais autonomia para as pessoas e otimiza o tempo”, opina a recepcionista do pré-vestibular Apoio Singular, Camila Queiroz, 26.

O proprietário do KOR Crossfit, Alysson Tomizawa, 42, confirmou que os alunos aprovam a parceria. “Estabelecer essa relação criou um diferencial. Mesmo se o restaurante registrar um percentual de pessoas que não façam direito, ele ainda sai ganhando na quantidade e na visibilidade do local”, assegura.

Picolé para todos
Também na capital federal, apostando no mesmo formato, um grupo criou o projeto Picolé para todos. A ideia é: os sorvetes no palito são deixados em um freezer e o interessado pode se servir e deixar o pagamento em uma caixinha. Não há câmeras, funcionários ou qualquer outro mecanismo de controle nos locais onde a campanha está disponível.

De acordo com um dos idealizadores da iniciativa e professor, Thiago Gonçalves Silvério da Costa, 32, em economias desenvolvidas, como nos EUA e na Alemanha, e mesmo em países da Europa, já vigora há um bom tempo o modelo de autosserviço em supermercados, conveniências, postos de gasolina e outros estabelecimentos. Em algumas cidades europeias não há cobradores e nem mesmo catracas nos coletivos. O passageiro, ao entrar na estação, deve fazer seu pagamento voluntariamente.

“Após uma viagem para fora em 2007, eu e outro idealizador do projeto resolvemos implementar a proposta em uma escola particular da cidade. Não apenas com o objetivo de testar, mas também para disseminar a cultura da honestidade.”

Atualmente, o projeto já conta com mais de 200 locais que são parceiros em todas as regiões administrativas, desde condomínios residenciais, igrejas e empresas privadas a órgãos públicos no DF, em Goiás e Minas Gerais.

O nosso balanço é muito positivo. Alcançamos uma média de honestidade superior aos 90%. Temos a impressão de que todo brasileiro é desonesto, mas queremos mostrar que um ato de corrupção vai desde a pessoa estacionar o carro em uma vaga para deficientes como em não pagar por um picolé, que custa R$ 2,50

Thiago Gonçalves Silvério da Costa

Ainda segundo o professor, vale ressaltar que em regiões onde o poder aquisitivo é menor, a taxa de honestidade é maior. “As pessoas acabam entendendo que ser honesto muda a própria realidade e a dos demais participantes do projeto, já que a reposição dos picolés depende da arrecadação financeira anterior”, conclui.

Confira fotos do projeto:

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Unidade custa R$ 2,50
Iniciativa está em prédios residenciais, igrejas, empresas privadas e órgãos públicos do DF e outros dois estados
Projeto Picolé para todos
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Projeto Picolé para todos

Divulgação/Projeto Picolé para todos
Unidade custa R$ 2,50
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Unidade custa R$ 2,50

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Iniciativa está em prédios residenciais, igrejas, empresas privadas e órgãos públicos do DF e outros dois estados
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Iniciativa está em prédios residenciais, igrejas, empresas privadas e órgãos públicos do DF e outros dois estados

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