DF: motorista de app foi esfaqueado até a morte após tentar fugir

Em audiência de custódia, juíza converteu prisão em flagrante dos três acusados pelo crime bárbaro em preventiva

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atualizado 24/01/2020 15:32

Os três acusados de roubar e matar o motorista de aplicativo Maurício Cuquejo Sodré (foto em destaque), 29 anos, vão ficar presos preventivamente. A decisão foi tomada em audiência de custódia nesta sexta-feira (24/01/2020). A juíza Lorena Alves OCampos destacou o alto grau de periculosidade dos envolvidos.

Lembrou também que, segundo apontam as investigações, a vítima foi chamada para uma corrida na Granja do Torto. Dentro do carro, eles ameaçaram e deram uma facada em Maurício. O rapaz foi colocado ferido no porta-malas. Ao chegarem em área rural na mesma região, o veículo ficou atolado em uma vala e desligou. O motorista de app tentou fugir e, nesse momento, o alcançaram. Ele levou chutes e socos dos criminosos.

Os três acusados continuaram esfaqueando o homem até matá-lo e, em seguida, jogaram o corpo em uma poça d’água. Conforme o Metrópoles revelou, um dos suspeitos disse à Polícia Civil que ele e os comparsas deram facadas em Maurício “sem dó“. O cadáver foi encontrado na madrugada dessa quinta-feira (23/01/2020) por um morador que passava pela região.

“O fato é de extrema gravidade e a prisão se mostra necessária”, pontuou a juíza na decisão. Um dos envolvidos, Lucas Fernandes Campos, 41, que dirigiu o carro da vítima, já foi condenado por furto qualificado em 2017. Eduardo Gabriel Lima de Oliveira, 24, também responde na Justiça por roubo ocorrido no mesmo ano e inquérito por tentativa de homicídio. O outro suspeito que ficará preso preventivamente é Daniel Pereira de Souza, 20, que também foi condenado por roubo.

 

 

 

 

Os suspeitos foram presos horas depois. Chefe da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Laércio Rosseto disse que os criminosos foram flagrados no momento em que se preparavam para fugir do Distrito Federal. “Tinham mochilas prontas para deixar Brasília”, destacou.

Durante a confissão, os bandidos afirmaram que a ideia era apenas roubar os pertences e liberar Maurício. “Contudo, temiam que o motorista pegasse uma arma de fogo e usasse contra eles. Ocorre que essa afirmação não tem procedência, pois não encontramos nenhum vestígio de arma de fogo”, acrescentou o delegado.

 

O corpo de Maurício será enterrado às 15h30 deste sábado (25/01/2020) no Cemitério Campo da Esperança do Gama. Motoristas de aplicativo farão uma manifestação.

Cheio de planos

Maurício era formado em gastronomia e estava juntando dinheiro para montar seu próprio restaurante. A vítima comemorou, pouco antes de ser morto, o número de corridas na noite de quarta. “De Taguatinga, eu peguei um pra Águas Claras, depois Guará. Aí do Guará, eu peguei Sobradinho”, disse em um grupo de WhatsApp.

Um print do aplicativo mostra a última corrida feita pelo rapaz: Granja do Torto, onde foi morto. A família não se conforma. Nessa quinta-feira (23/01/2020), após o corpo ser achado, a mãe da vítima não conseguia entender tamanha brutalidade. “Por que o mataram, meu Deus? Já tinham roubado”, questionou Maria do Socorro Sodré, que foi ao local do crime.

Irmão de Maurício, Marcus Sodré, 23, disse que a relação entre os dois era bem próxima. “Ele estava cheio de planos, de expectativa, queria até comprar uns livros de economia para entender mais sobre o assunto. Era uma pessoa muito tranquila. Toda segunda ele ia lá em casa para lavar o carro dele. A última vez que o vi foi na terça, quando foi deixar uns documentos lá”, contou o jovem.

Ele acredita que, pelo fato de ser hemofílico, o rapaz sangrou muito e pode ter agonizado até morrer. Este é o segundo caso de morte de motorista de aplicativo em 2020 no Distrito Federal. No dia 18 de janeiro, o corpo de Aldenys da Silva, também de 29 anos, foi localizado às margens da BR-070, na entrada de Brazlândia. Ele estava desaparecido desde 3 de janeiro.

Segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas Autônomos de Transporte Privado Individual por Aplicativos do DF (Sindmaap-DF), Marcelo Chaves, os criminosos se aproveitam da falta de cobrança sobre informações dos passageiros. “Uma selfie seria a alternativa. O motorista precisa tirar uma foto dele para correr, por que a mesma medida não pode valer para o passageiro? Assim, o colaborador poderia ver, no ato da corrida, se o passageiro é de fato quem solicitou a viagem e inibiria a ação de criminosos com medo de mostrar o rosto.”

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