Polícia prende quatro suspeitos de matar motorista de app no DF

Maurício Cuquejo, 29 anos, foi achado morto com diversas perfurações no corpo na região rural da Granja do Torto nesta quinta (23/01/2020)

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atualizado 23/01/2020 17:46

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, na tarde desta quinta-feira (23/01/2020), três adultos e um adolescente suspeitos de envolvimento no assassinato do motorista de aplicativo Maurício Cuquejo Sodré, 29 anos. A vítima foi localizada pela manhã dentro de uma poça d’água na região da Granja do Torto.

Os acusados foram encontrados na Granja do Torto e levados para a 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), que conduz as investigações. De acordo com o delegado Laércio Rossetto, chefe da 2ª DP, trata-se de latrocínio – roubo seguido de morte. As identidades e idades dos suspeitos não serão reveladas pela PCDF por conta da Lei de Abuso de Autoridade, que veda a exposição de presos.

Em entrevista ao Metrópoles, a mãe do motorista de aplicativo disse que ficou sabendo do sumiço por meio da namorada do filho. De acordo com Maria do Socorro Sodré, a moça ligou para a família perguntando se tinham notícias de Maurício, uma vez que o rapaz não havia chegado a casa até as 6h.

Como não tinham notícias, os parentes ligaram imediatamente para a seguradora do carro, recém-adquirido, e acionaram o aplicativo para saber da localização de Maurício. O corpo do rapaz, que era hemofílico e tinha um problema na perna, segundo a mãe, foi achado nesta manhã numa região rural.

“A última vez que o vi foi na segunda-feira. Ele sempre vai lá em casa lavar o carro dele. Fiquei sabendo dessa situação pela namorada dele. Era um homem independente, formado em gastronomia. Por que o mataram, meu Deus? Já tinham roubado”, questionou Maria do Socorro, que foi ao local do crime.

 

Maria do Socorro conta ainda que emprestou dinheiro ao filho para adquirir o veículo, que, segundo a mulher, era o “xodó” do rapaz. “Não gostava de ser subordinado a ninguém, por isso não atuava na área. Eu emprestei dinheiro para ele comprar o carro. Ele estava trabalhando há oito meses em um aplicativo. Queria montar uma lanchonete, e agora estou enterrando um filho. Estou anestesiada”, desabafou a mãe da vítima.

Por volta das 13h30, a perícia da Polícia Civil do DF estava na área onde o corpo foi achado. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) esteve na região, aproximadamente às 7h, e localizou o carro de Maurício, um Renault Logan de cor branca.

A vítima levou diversos golpes. Maurício foi achado de bruços dentro de uma poça de água. O veículo dele foi encontrado em outra vala. Havia também duas facas no local do crime.

Há uma câmera de segurança perto do local, porém o equipamento está desligado. Os criminosos deixaram o carro, mas o celular, a carteira e os documentos da vítima não foram achados.

Maurício, conforme relata a mãe, era seletivo com os passageiros que pegava. De acordo com Maria do Socorro, o rapaz já chegou a ir embora de certas corridas por desconfiar das pessoas. “Ele deu uma bobeira, porque sempre selecionava os passageiros que pegava. Ele era medroso demais, ele vacilou”, afirmou a mãe.

Investigação

De acordo com o delegado Laércio Rossetto, a polícia trabalha com duas possibilidades: latrocínio (roubo seguido de morte) ou homicídio. “Ele era motorista de aplicativo e estava fazendo uma corrida pela região. Morava em Santa Maria. O corpo, provavelmente, estava dentro do porta-mala mala do veículo”, pontuou o investigador.

A polícia já sabe que Maurício ficou uma hora parado às margens da BR-020, após receber o chamado para a corrida. Ainda segundo o delegado, quem matou o rapaz tinha mesmo essa intenção, devido à brutalidade do crime. “O corpo tinha várias perfurações. O carro era novo e pertencia à vítima, ressaltou.

Irmão de Maurício, Marcus Sodré, 23, também foi ao local do crime. Ele disse que a relação entre os dois era bem próxima. “Estava cheio de planos, de expectativa, queria até comprar uns livros de economia para entender mais sobre o assunto. Era uma pessoa muito tranquila. Toda segunda, ele ia lá em casa para lavar o carro dele. A última vez que o vi foi na terça, quando foi deixar uns documentos lá”, contou o jovem.

Este é o segundo caso de morte de um motorista de aplicativo em 2020 no Distrito Federal. No dia 18 de janeiro, o corpo de Aldenys da Silva, também de 29 anos, foi localizado às margens da BR-070, na entrada de Brazlândia. Ele estava desaparecido desde 3 de janeiro.

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