DF: além de Letícia e Genir, Marinésio é suspeito de atacar 17 vítimas

Polícia Civil voltou a receber denúncias após a descoberta de que maníaco usava outros carros para cometer crimes

Andre Borges/Especial para o MetrópolesAndre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 03/09/2019 16:32

Chega a 19 o número de mulheres que podem ter sido vítimas do cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos. Preso pelos assassinatos de Genir Pereira de Sousa, 47 anos, e Letícia Curado Sousa, 26, o maníaco viu o número de denúncias contra ele crescer após sua prisão e depois de os investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) descobrirem que o homem usava outros carros, além da Blazer prata apreendida, para praticar crimes.

A lista de acusações contra Marinésio inclui crimes como assassinato, estupro e assédio sexual. Entre as semelhanças que o colocam como suspeito dos casos, está o modus operandi adotado por ele. Aos investigadores da PCDF, o maníaco revelou que tinha o hábito de pegar o carro nos dias de folga e circular pela cidade atrás de mulheres. Contou que costumava abordar as que estavam sozinhas em paradas de ônibus. Na versão dada aos policiais, ressaltou que oferecia carona para a rodoviária e, no trajeto, assediava as vítimas.

Nessa segunda-feira (02/09/2019), a 19ª vítima do suspeito esteve na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) para prestar depoimento contra o cozinheiro. Coincidindo com depoimentos de outras duas mulheres, a empregada doméstica, que pediu para não ser identificada, afirmou que o maníaco usava um carro vermelho quando ofereceu carona para ela, no dia 14 de abril deste ano.

“Era véspera do meu aniversário. Eu estava em uma parada de ônibus em frente à Feira de Confecções do Setor de Educação (de Planaltina), e ele passou, ofereceu carona, e eu disse que iria para o Arapoanga. Aí, entrei no carro”, contou a empregada doméstica.

Ainda de acordo com a mulher, ela só escapou porque fingiu ser uma criminosa. “Ele estava dirigindo e eu, concentrada, olhando para a direita. Foi quando percebi que ele estava indo para uma área de matagal em Planaltina. Então, falei: ‘O que você está fazendo aqui?’”, narrou.

Para se desvencilhar do cozinheiro, a moradora do Arapoanga mentiu, afirmou que era ex-presidiária e que já tinha cometido homicídio. “Eu disse: ‘Você sabia que eu acabei de sair da Colmeia [como é conhecida a Penitenciária Feminina]? Saí de lá porque matei um homem’”, contou.

Confira a lista de casos em que Marinésio dos Santos Olinto é suspeito:

1) Letícia de Sousa Curado – Desaparecida após sair para o trabalho, em 23 de agosto de 2019, a advogada e funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) foi encontrada morta três dias depois. Seu cadáver estava dentro de uma manilha perto da fábrica de sementes Pioneer, na DF-250, na região de Planaltina, onde ela morava. Em depoimento, o cozinheiro assumiu o crime e disse ter matado a jovem enforcada. Letícia tinha 26 anos;

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Letícia deixou um filho pequeno, de 3 anos

2) Genir Pereira de Sousa – Desaparecida em 2 de junho deste ano, após sair do trabalho. Foi encontrada morta 10 dias depois. Empregada doméstica, a vítima de 47 anos foi vista, momentos antes de desaparecer, caminhando até parada de ônibus no Paranoá. Câmeras de segurança flagraram o carro de Marinésio rondando Genir no dia do desaparecimento;

Reprodução/Facebook
Genir: maníaco também confessou a morte da auxiliar de cozinha

3) Gisvania Pereira dos Santos Silva, 34 anos – Ela foi filmada pela última vez às 4h40 do dia 6 de outubro de 2018 por câmeras de segurança de um posto de gasolina em Sobradinho, região onde morava com os pais e a filha, de 15 anos. No vídeo, Gisvania estava acompanhada de um homem. Ele foi identificado à época, mas a polícia descartou a participação dele no sumiço da mulher, pois ela saiu sozinha do posto;

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Gisvania foi vista pela última vez em posto de gasolina em Sobradinho

4) Irmãs atacadas – As vítimas, de 18 e 21 anos, contaram ter fugido de Marinésio um dia depois de ele ter matado Letícia, em Planaltina. Segundo o relato, elas foram atacadas pelo maníaco no dia 24 de agosto, na Rodoviária de Planaltina, menos de 24 horas após o assassinato de Letícia. No trajeto, o suspeito teria assediado as jovens, que conseguiram fugir após uma delas pegar uma panela que estava no banco de trás e ameaçar quebrar o carro dele;

JP Rodrigues/Metrópoles

5) Adolescente de 17 anos – Jovem diz ter sido estuprada, abandonada e chamada de “lixo”. Ela também foi abordada pelo cozinheiro em parada de ônibus. Para que entrasse no carro, o maníaco a ameaçou de morte com uma faca. A vítima foi levada à região de pinheirais, no Paranoá, onde foi abusada pelo suspeito. A adolescente foi a primeira a denunciar que Marinésio usava carro diferente da Blazer prata apreendida;

Rafaela Felicciano/Metrópoles

6) Moradora do Paranoá, de 42 anos – Segundo a vítima, que pediu para não ter o nome divulgado, ela chegou a tentar o suicídio duas vezes devido ao trauma causado pela violência sofrida: afirma ter sido estuprada e espancada. A vítima parou de trabalhar e fez acompanhamento psiquiátrico. Hoje, tem depressão e síndrome do pânico. O caso ocorreu em 2017. Naquele ano, Marinésio teria ameaçado a mulher de morte após ela tentar escapar do veículo do algoz. Aos investigadores, a vítima relatou que o maníaco estava em um carro vermelho;

Allane Moraes/ Esp. para o Metrópoles

7) Lays Dias Gomes, 25 anos – Desapareceu no dia 7 de julho de 2018, após sair de casa rumo a uma parada de ônibus, em Samambaia. A única novidade que a família recebeu sobre Lays foi a descoberta dos parentes de que a jovem trabalhava como garota de programa em movimentado ponto de prostituição de Taguatinga.

Quando tomou conhecimento do fato, Léia Vieira, a prima, chegou a ir até o local conversar com colegas da desaparecida, mas nenhuma informação que a levasse à prima foi encontrada. Ocorre, no entanto, que as garotas de programa com quem a desaparecida dividia ponto reconheceram Marinésio com sendo um frequentador assíduo do local;

Material cedido ao Metrópoles

8) Vítima desaparecida no Paranoá – Caso de 2014 foi reaberto após semelhanças com modo de agir de Marinésio. A polícia não divulgou o nome nem mais informações;

9) Vítima desaparecida em Sobradinho – Essa ocorrência, entre 2014 e 2015, foi reaberta agora após semelhanças com o modus operandi de Marinésio. O nome da vítima não foi divulgado pela polícia;

10) Babá moradora da Fercal – Antonia Rosa Rodrigues Amaro está desaparecida há um ano e meio após ter se dirigido a uma parada de ônibus. Ela era babá em uma casa do Lago Sul. A Polícia Civil do DF acredita que o cozinheiro tenha envolvimento com o sumiço dela;

11) Mulher de 23 anos – Segundo o depoimento da vítima, Marinésio a abordou na Rodoviária do Plano Piloto e se apresentou como motorista de transporte pirata – chamados de “loteiros”. A jovem revelou que iria ao Vale do Amanhecer, e o suspeito disse que o local era um dos pontos de sua rota. No meio do caminho, de acordo com a vítima, o suspeito a teria assediado e colocado a mão na perna esquerda da jovem. Para fugir, ela pulou do carro em movimento;

12) Marília de Lurdes Ferreira – Desaparecida em agosto de 2012, ela foi achada morta um mês depois, na linha férrea dos arredores do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). De acordo com familiares, Marília desapareceu após deixar o local de trabalho em direção a uma parada de ônibus para pegar transporte até agência da Caixa Econômica Federal, mas nunca chegou ao destino. A família acredita que ela tenha sido sequestrada por um motorista de transporte pirata;
Material cedido ao Metrópoles

13) Caroline Macêdo Santos – A adolescente de 15 anos foi encontrada morta no Lago Paranoá em maio do ano passado. A jovem era amiga da filha de Marinésio dos Santos Olinto e morava a 800 metros da casa do cozinheiro, no Vale do Amanhecer. Caso foi reaberto após prisão do maníaco;

Facebook/Reprodução
Caroline era muito amiga da filha do maníaco e morava a 800 metros da casa deles, no Vale do Amanhecer

14) Fabiana Santa Alves, 27 anos – Trabalhava como garçonete em um estabelecimento na Estrutural e teria sido deixada pelo namorado dentro de um ônibus rumo ao Paranoá. Após o desaparecimento, em 2013, a família passou a desconfiar do rapaz, mas nunca teve retorno da Divisão de Repressão a Sequestro (DRS), onde o inquérito segue em aberto;

Arquivo pessoal
Fabiana desapareceu em 2013

15) Moradora de Planaltina de 50 anos – Disse ter sido abordada pelo cozinheiro quando ia até uma parada de ônibus na Rua Piauí, na mesma região administrativa. Recorda-se que o homem passou com a Blazer prata gritando: “Rodoviária do Plano Piloto”. Por se tratar de um local onde o transporte é deficitário, resolveu embarcar no carro do cozinheiro.

A mulher conta que, quando se aproximaram de alguns pés de eucalipto na estrada, o motorista desviou. Neste momento, o carro foi parado por policiais. Marinésio disse que ela era uma prostituta e os policiais acreditaram na história contada pelo agressor, que decidiu abandoná-la no local;

JP RODRIGUES/ METRÓPOLES

16) Confeiteira de 39 anos – Foi abordada pelo homem quando procurava transporte para sair de Sobradinho e chegar a Planaltina. De acordo com o relato, após embarcar na Blazer prata de Marinésio, ele começou a assediá-la. Após o suspeito ter dito a ela que os dois iam ficar juntos, a vítima fingiu concordar até que Marinésio parasse o carro. Quando ele parou, próximo ao Polo de Cinema, em Sobradinho, em uma região deserta, a mulher afirma que saiu correndo e conseguiu escapar. Com medo, chegou a se mudar do DF para fugir do homem;

17) Janaína Dias Lopes, 25 anos – Diz ter sido atacada pelo suspeito em 2015, próximo à parada de ônibus do Hospital Regional de Planaltina (HRP). O maníaco, segundo conta, usou uma faca para a obrigar a entrar em seu carro. Ele teria dirigido até matagal nos arredores, onde tentou estuprá-la e a enforcou. A vítima fingiu-se de morta para se livrar do suspeito;

Arquivo Pessoal

18) Empregada doméstica de 46 anos – Coincidindo com depoimentos de mais duas mulheres, a vítima, que pediu para não ser identificada, afirmou que o maníaco usava um carro vermelho quando ofereceu carona para ela, no dia 14 de abril deste ano. Ainda de acordo com a mulher, ela só escapou porque fingiu ser uma ex-presidiária da Colmeia, na Papuda;

Ana Karolline Rodrigues/Metrópoles

19) Jovem de 21 anos – Conta que foi abordada pelo maníaco quando ele estava em um Gol preto. O depoimento bate com a informação dada pelo irmão do assassino confesso. A estudante, que pediu para não ter o nome revelado, procurou inicialmente outra delegacia do DF para fazer a denúncia, mas foi encaminhada para a unidade de Planaltina (31ª DP), onde contou aos policiais sobre o caso de assédio que relata ter sofrido em novembro de 2017.

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