Desconto irregular do BRB: dono do Cassisp foi preso na farra do INSS
Segundo a PCDF, o Cassisp foi criada com objetivo de aplicar fraudes contra aposentados e pensionistas do Governo do DF

O Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos (Cassisp), uma das principais associações investigadas nas fraudes em contas no BRB, foi criada por Adelino Rodrigues Junior, um dos presos no caso que ficou conhecido como a Farra do INSS.
Adelino, que também era sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como Careca do INSS, criou o Cassisp em abril de 2024, juntamente com Samuel Messias dos Santos. Três meses depois, a presidência da associação foi passada para Regina Pacheco Cataneo, que permanece no cargo desde então. A associação, segundo o Ministério Público do DF (MPDFT), foi constituída sem qualquer associado enquadrado no público-alvo da entidade.
As investigações indicaram que, assim como as outras associações ligadas ao esquema das fraudes no BRB, o Cassisp foi criado com objetivo de aplicar fraudes contra aposentados e pensionistas do Governo do DF. A Polícia Civil (PCDF) estima que mais de 3,5 mil contas tenham sido afetadas, com prejuízo inicial superior a R$ 5 milhões.
Em nota, o BRB informou ter encaminhado a notícia crime às autoridades policiais após a identificação das irregularidades. Como medida administrativa, três empregados foram afastados de suas funções até a conclusão das investigações e a verificação de eventual responsabilidade. O Metrópoles não conseguiu localizar os outros citados. O espaço segue aberto.
Conforme relatado, as associações envolvidas nas fraudes firmavam contratos para autorizar débitos automáticos diretamente nas contas dos beneficiários sem o consentimento deles.
Nessa terça-feira (23/6), sete pessoas ligadas à Cassisp e as outras associações foram presas durante a Operação Parasita. Desse total, três tinham participação em outras investigações da Polícia Federal de fraudes no INSS.
“Praticamente todos os presos tinham passagens por crimes da mesma natureza. Três alvos tinha participação com as investigações da Polícia Federal”, destacou o delegado Henry Galdino, responsável pelo caso.
Farra do INSS
Adelino foi preso preventivamente em 16 dezembro de 2025, após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Sem Desconto – que apurou a farra do INSS.
Conforme o documento ao qual o Metrópoles teve acesso, Adelino participou das fraudes em parceria com o Careca do INSS e outros investigados.
O homem, segundo as investigações, desempenhava a operacionalização do fluxo financeiro interno do esquema, auxiliando Antônio Carlos Antunes em negócios que envolviam empresas fictícias, repasses dissimulados, contratos simulados e ajustes contábeis “elaborados para afastar o rastro da origem criminosa dos recursos”.
A decisão do STF descreve um conjunto de condutas que apontam a participação ativa de Adelino na manutenção e desenvolvimento das atividades da organização criminosa liderad.a pelo Careca do INSS
Adelino, que também atuava como procurador da CBPA – uma das associações envolvidas nos descontos ilegais em contas de aposentados e pensionistas da Seguridade Social, era responsável por operações sensíveis envolvendo a circulação de valores provenientes dos descontos fraudulentos aplicados sobre os benefícios.
Conforme as investigações, materiais apreendidos demonstraram que Adelino participava de ajustes societários, repasses internos e regularizações de contratos, sendo a ele atribuída a missão de auxiliar na ocultação da real titularidade dos valores movimentados, conforme a Polícia Federal.
“Sua atuação exibe forte conexão com operações típicas da segunda fase da lavagem (ocultação), mediante participação em empresas utilizadas para emitir notas fiscais fictícias, presença em negociações destinadas a mascarar entradas e saídas de capital, atuação em repasses vinculados a serviços inexistentes”, informou a polícia.
No documento consta, ainda, que elementos apontavam a participação do homem em decisões de natureza estratégica nas empresas controladas pelo careca do INSS, “especialmente naquelas voltadas à manutenção da fachada empresarial necessária ao ciclo contínuo de lavagem. Em muitos casos, cabia a ele garantir que as operações aparentassem lastro contábil, mesmo quando inexistente”.
Durante as investigações, em 2023, segundo imagens analisadas pela PF, Adelino comprou um cofre e registrou foto demonstrando que armazenava mais de R$ 500 mil reais no local.
O outro lado
Por meio de nota, o BRB declarou que “a operação deflagrada pela PCDF nessa terça-feira (23/6) teve início a partir de notícia crime encaminhada pelo próprio banco às autoridades policiais, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance”.
“Como medida administrativa, 3 empregados foram afastados de suas funções até a conclusão das investigações e a verificação de eventual responsabilidade”, esclareceu a instituição financeira.
“O BRB destaca que os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB e reforça que quaisquer fatos irregulares identificados serão punidos com os rigores cabíveis, dentro dos procedimentos normativamente estabelecidos.”
Por fim, o banco informou repudiar “quaisquer práticas criminosas”: “Em especial aquelas que violem direitos de públicos vulneráveis e reforça seu compromisso com a integridade, a conformidade e a transparência, e sua colaboração permanente e integral com as autoridades competentes”.
O Cassisp foi acionado pelo Metrópoles, mas até a publicação desta reportagem não havia se pronunciado. A defesa dos demais envolvidos não foram localizadas. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

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