Cassisp é principal associação investigada por fraude em contas no BRB
Em maio, a Justiça determinou a suspensão imediata dos descontos vinculados à empresa; outras cinco entidades também são alvo da PCDF

Uma das principais associações investigadas na Operação Parasita, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta terça-feira (23/6), é a entidade Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos (Cassisp). Assim, como as outras associações ligadas ao esquema, ela teria sido criada em 2024 com o objetivo de aplicar fraudes contra aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF). A informação foi confirmada pelo delegado Henry Galdino.
De acordo com Galdino, a Cassisp é apontada como a principal associação envolvida no esquema investigado. Mas a investigação também chegou a outras cinco entidades, todas criadas para o esquema fraudulento.
São elas: Sociedade Beneficente dos Servidores Públicos do Governo do Distrito Federal (SBSP); Associação dos Servidores Públicos, Pensionistas e Aposentados do Governo do Distrito Federal (Aspjub); Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos do Governo do Distrito Federal (Cassispub); Mão Amiga; e Associação Núcleo de Proteção e Crédito aos Servidores Públicos (Cobjud).
“Elas eram criadas com o intuito de aplicar golpes nas vítimas. Tem a principal (Cassisp), que foi criada aqui em Brasília e se mudou para outro estado. Inclusive, temos informações de que esse modelo de crime está sendo replicado em outros estados”, descreveu.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFAs entidades foram acionadas pelo Metrópoles, mas até a publicação desta reportagem, não havia se pronunciado. O espaço segue aberto para manifestações.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasEm nota, o BRB informou ter encaminhado a notícia crime às autoridades policiais após a identificação das irregularidades. Como medida administrativa, três empregados foram afastados de suas funções até a conclusão das investigações e a verificação de eventual responsabilidade.
“O BRB destaca que os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB e reforça que quaisquer fatos irregulares identificados serão punidos com os rigores cabíveis, dentro dos procedimentos normativamente estabelecidos”, completou o banco.
Canal de denúncias
Segundo o promotor de Justiça Leonardo Jubé, da Promotoria de Defesa do Consumidor (Prodecon), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), as investigações chegaram até a Cassisp depois de uma série de reclamações feitas por aposentados e pensionistas correntistas do Banco de Brasília (BRB), que identificaram descontos não autorizados em suas contas bancárias.
O principal canal de denúncias foi o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF), que encaminhou os casos ao MPDFT.
“Foi pelas reclamações junto ao Procon que nós começamos a atentar para a situação. Na sequência, verificamos a existência de ocorrências policiais e entramos em contato com a unidade especializada da Polícia Civil, quando as investigações começaram a evoluir”, explicou Jubé.
Ainda segundo o promotor, o objetivo inicial do Ministério Público era interromper os prejuízos causados aos consumidores. Durante a apuração, o órgão identificou falhas na contratação do sistema de débitos automáticos utilizado pelas associações investigadas.
“Nós verificamos falha do BRB em relação a esse contrato. Faltou diligência para verificar que associação era essa antes de permitir que fossem realizados débitos automáticos apenas com o envio de listas de nomes. Em pouco tempo, os descontos atingiram milhares de pessoas”, afirmou.
Apesar das críticas ao procedimento adotado pelo banco, Jubé ressaltou que o próprio banco também é vítima do esquema. “Nós temos aqui um arranjo criminoso que também prejudica o patrimônio do banco, que é um patrimônio público”, destacou.
Com base nos elementos reunidos pelo MPDFT, em 27 de maio deste ano, a Justiça determinou a suspensão imediata dos descontos vinculados à Cassisp e autorizou o bloqueio de valores relacionados à entidade.
Operação Parasita
Na manhã desta terça-feira (23/6), a PCDF deflagrou a Operação Parasita e cumpriu quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Minas Gerais. A PCDF estima que mais de 3,5 mil contas tenham sido afetadas, com prejuízo inicial superior a R$ 5 milhões.
Segundo as investigações, associações firmavam contratos para autorizar débitos automáticos diretamente nas contas dos beneficiários sem o consentimento deles.
“Praticamente todos os presos tinham passagens por crimes da mesma natureza. Três alvos tinham participação nas investigações da Polícia Federal (caso do INSS)”, destacou o delegado Henry Galdino.
A reportagem não conseguiu localizar representantes da Cassisp até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos da associação sobre as acusações investigadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
O que diz o BRB
O BRB informa que a operação deflagrada pela PCDF na manhã de hoje (23) teve início a partir de notícia crime encaminhada pelo próprio banco às autoridades policiais, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance.
Como medida administrativa, 3 empregados foram afastados de suas funções até a conclusão das investigações e a verificação de eventual responsabilidade.
O BRB destaca que os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB e reforça que quaisquer fatos irregulares identificados serão punidos com os rigores cabíveis, dentro dos procedimentos normativamente estabelecidos.
Por fim, o BRB repudia quaisquer práticas criminosas, em especial aquelas que violem direitos de públicos vulneráveis e reforça seu compromisso com a integridade, a conformidade e a transparência, e sua colaboração permanente e integral com as autoridades competentes.













