Creche para filhos de servidores do Senado será fechada no DF

Por meio de comunicado, a instituição alegou grave crise financeira

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atualizado 09/10/2019 14:14

O Centro de Educação Infantil dos Servidores do Senado Federal (CEI-Assefe) informou, nessa segunda-feira (07/10/2019), que encerrará as atividades da creche a partir de 2020. Por meio de comunicado enviado aos pais dos alunos, a escola defendeu que a decisão foi tomada em conjunto com a Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo devido a uma crise financeira.

No texto do documento ao qual o Metrópoles teve acesso, a creche explica que “os últimos exercícios financeiros têm gerado déficits que estão impactando de modo significativo o balanço da Assefe”. Contudo, o CEI continuará funcionando normalmente até o encerramento das atividades letivas de 2019.

A unidade de ensino é aberta para crianças de 4 meses a 6 anos. Segundo pais de alunos, a mensalidade do local varia entre R$ 2 mil e R$ 4,5 mil.

De acordo com a instituição de educação infantil, a iniciativa de prestar os serviços aos associados do Senado decorreu da necessidade de atender aos filhos dos servidores “eis que se tratava de um serviço pouco ofertado e com uma proposta de promover uma educação infantil inovadora e com atenção, zelo e carinho às crianças”.

No entanto, após mais de 30 anos, a situação não seria mais a mesma. “Seja em razão do contexto social e econômico, bem como pelo fato da existência de inúmeras opções de serviços similares prestados, também de boa qualidade, capazes de atender aos associados”, dizia o texto.

“Não sendo mais uma atividade em que há carência no mercado de oferta desse serviço, não subsistindo mais a necessidade que motivou a Assefe a albergar essa atividade, na atual conjuntura, passou a configurar relativo desvirtuamento do objeto social do Clube Assefe.”

A creche ainda defendeu que quando a Assefe assumiu o encargo de ofertar educação infantil aos associados, “não mediu esforços para assegurar qualidade, segurança, eficiência e atenção máxima às crianças, sem ênfase em alcançar superávit financeiro na operação”.

Assembleia

Pegos de surpresa, pais de alunos buscam agora convocar uma assembleia para que a decisão seja revista. Para a servidora pública Viviane Varga, 44, mãe de um aluno da instituição, a interdição da unidade é um “prejuízo para a cidade”.

“Meu filho está no último ano, então, não vou ser tão prejudicada. Mas fiquei muito triste porque é uma referência de ensino infantil em Brasília, uma escola extremamente consolidada”, disse.

“A escola vai ser fechada por decisão unilateral, sem anuência dos associados, ferindo o estatuto da associação. Acho um desrespeito muito grande com os pais dos alunos e profissionais”, considerou.

Conforme a servidora, a escola nunca foi transparente com os pais em relação à questão financeira. “As contas nunca foram transparentes, porque faz-se uma mistura entre as contas do clube e da escola. Então, estamos querendo reverter a decisão, pretendemos nos manifestar”, afirmou.

Outra servidora, que pediu para não ser identificada, é mãe de três crianças que estudam no local. Ao Metrópoles, ela reforçou a falta de transparência da instituição de ensino com os responsáveis pelas crianças. “Pelo estatuto, são necessários 100 associados para convocar uma assembleia. Vamos fazer um requerimento, porque queremos que nos mostrem as contas”, ressaltou.

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