TAF dos bombeiros: candidatas fazem barra em praça contra decisão. Veja vídeo
A mobilização, realizada na Praça do Buriti, foi organizada nesta terça-feira (17/3) após a decisão do TJDFT que suspende a barra dinâmica
atualizado
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Candidatas do concurso público do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) se reuniram em mais um ato pela manutenção da obrigatoriedade do teste de barra dinâmica no Teste de Aptidão Física (TAF), nesta terça-feira (17/3).
Veja:
A mobilização, realizada na Praça do Buriti, foi organizada após o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinar a suspensão do teste e o caráter classificatório do TAF. A decisão ainda estabelece que seja adotado “provisóriamente o teste estático de barra com cotovelos flexionados, nos moldes do edital anterior indicado na inicial, até ulterior deliberação”.
No ato, as candidatas repetiram a ação da primeira manifestação realizada nesse domingo (15/3) de levar uma barra ao ponto de encontro, com o intuito de mostrar que as candidatas tem capacidade de cumprir a exigência prevista no edital. Com a barra instalada, elas se organizaram em uma fila para que cada representante presente na mobilização, faça, ao menos, uma barra dinâmica – exigência prevista no edital atualmente.
Uma das manifestantes, identificada como Iara Salgado, defendeu que a implementação desse teste foi estudada por muito tempo e é necessário para o total desempenho das funções dos militares.
“Durante as operações nós estamos dispostas a passar por qualquer coisa. Então, por exemplo, se tem várias mulheres numa mesma operação e um homem de 1,90 no surto psicótico, imagina o quanto de força que essas mulheres precisam ter para conter uma pessoa que tem três vezes o peso delas. Então [o teste] é uma forma de medir realmente a força mínima necessária para ingressar”, contou.
O fator da medição da força no teste também é ressaltado por Sabrina Alves, integrante da comissão das candidatas. Para ela, a justificativa da decisão de que o teste não estabelece uma “isonomia” em relação aos candidatos homens, não é verdadeira.
“Para que a mulher faça uma barra, ela precisa desenvolver a fibra tipo dois. E é comprovado que a mulher consegue desenvolver essa fibra. Então, não existe isso de que o nosso corpo não consegue fazer barra”, explicou.
A integrante ainda ressaltou a “injustiça” da decisão, visto que candidatas se preparam durante meses para o TAF.
“Essa questão para derrubar o concurso é em cima de narrativas e de uma minoria que a gente se sente muito injustiçada também por não estarmos sendo ouvidas, porque a gente tá tentando clamar, tentando falar e não estamos sendo escutados pelas autoridades”, acrescentou.
Entenda a história
- Na última terça-feira (10/3), o MPDFT recomendou ao CBMDF o fim da exigência do teste de barra dinâmica durante o Teste de Aptidão Física (TAF) de candidatas mulheres nos concursos públicos da corporação.
- O pedido ocorreu dias antes da aplicação do teste para os candidatos aprovados nas primeiras etapas para o cargo de soldado operacional previsto para o período entre 21 e 25 de março.
- A recomendação foi expedida pela Prodep após análise de possível discriminação de gênero prevista no edital do certame. No atual concurso, o CBMDF exige barra dinâmica como prova eliminatória e classificatória no TAF.
- No domingo (15/3) um grupo de mulheres candidatas do concurso se reuniram em frente ao MPDFT em um ato contra a recomendação do ministério.
- Um dia após a realização do ato, Justiça do Distrito Federal determinou a suspensão da barra dinâmica.
- O CBMDF, o Governo do Distrito Federal (GDF) e o comandante-geral da corporação terão 20 dias para apresentarem a contestação da decisão.
