Candidatas defendem teste de barra em concurso dos Bombeiros do DF. Veja vídeo
Um grupo se reuniu nesse domingo (15/3) em frente ao prédio do MPDFT para exigir que o teste de barra dinâmica continue a ser obrigatório
atualizado
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Mulheres candidatas do concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) se reuniram em frente ao Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), nesse domingo (15/3). O grupo fez um ato pela manutenção da obrigatoriedade do teste de barra dinâmica no Teste de Aptidão Física (TAF) nos concursos públicos da corporação.
A mobilização, denominada de “Mantém TAF”, teve como objetivo contrariar a recomendação expedida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) que pediu a retirada do teste de barra dinâmica no TAF. No concurso anterior do CBMDF, a exigência para as mulheres era de barra estática.
No ato, as candidatas optaram por levar uma barra em frente ao prédio do ministério e organizaram uma fila para que cada representante presente na mobilização, pudesse fazer, ao menos, uma barra dinâmica para demonstrar a capacidade de cumprir a exigência prevista no edital.
Entenda a história
- Na terça-feira (10/3), o MPDFT recomendou ao CBMDF o fim da exigência do teste de barra dinâmica durante o Teste de Aptidão Física (TAF) de candidatas mulheres nos concursos públicos da corporação;
- O pedido ocorreu dias antes da aplicação do teste para os candidatos aprovados nas primeiras etapas para o cargo de soldado operacional previsto para o período entre 21 e 25 de março;
- A recomendação foi expedida pela Prodep após análise de possível discriminação de gênero prevista no edital do certame. No atual concurso, o CBMDF exige barra dinâmica como prova eliminatória e classificatória no TAF;
- Para o MPDFT, a exigência desconsidera diferenças fisiológicas entre homens e mulheres e pode resultar em impacto desproporcional sobre as candidatas;
- O órgão também solicitou que o Corpo de Bombeiros informe, no prazo de 10 dias, as providências adotadas para o cumprimento da recomendação.
Uma integrante de uma comissão feminina formada por candidatas manifestou nas redes sociais a importância da realização do ato. Identificada como Gabriela, a integrante afirma que as candidatas seguirão “lutando até o final” para que a exigência do edital permaneça.
“Nossa comissão segue firme no movimento mantém TAF. Acreditamos na importância do Teste de Aptidão Física e no mérito de todos que estão se preparando com dedicação. Ficamos felizes em estar do lado certo, defendendo o esforço, a igualdade e o respeito à Corporação”, disse.
OAB-DF é contra
Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Distrito Federal (OAB-DF), a exigência da barra dinâmica pode criar uma barreira discriminatória por desconsiderar diferenças fisiológicas entre homens e mulheres.
A aprovação da ação ocorreu após a leitura de parecer conjunto elaborado pela Diretoria das Mulheres, pela Comissão de Direito Militar e pela Procuradoria de Direitos Humanos da OAB/DF, que analisou juridicamente as exigências previstas no edital.
Para o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, conhecido como Poli, a medida busca aprimorar os processos seletivos da corporação sem desrespeitar a tradição.
“O Corpo de Bombeiros do DF se destaca como um dos melhores do país, com tradição secular que conta com nosso máximo respeito. É justamente por esse prestígio que buscamos diálogo franco para aprimorar seus processos seletivos. Nossa intenção é garantir segurança jurídica e permitir que a participação das mulheres nos quadros da corporação seja ampliada de forma justa e isonômica”, afirmou.
Posicionamento do CBMDF
O CBMDF informou que a recomendação do MPDFT encontra-se em análise pelas áreas técnicas e jurídicas da corporação, que avaliarão os apontamentos apresentados, observando os aspectos legais, técnicos e administrativos envolvidos no processo seletivo.
“O CBMDF ressalta que todas as etapas do concurso são conduzidas com base em critérios técnicos e no respeito aos princípios da legalidade, da transparência e da segurança jurídica. Eventuais manifestações institucionais adicionais serão apresentadas após a conclusão da análise em curso”, disse o Corpo de Bombeiros em nota.
