Assassino confesso diz que matou estudante da UnB por dívida de drogas

Em reconstituição na manhã desta terça-feira (21/8), Mateus dos Santos contou, em detalhes, como foram os últimos minutos de Jiwago

Vinicius Santa Rosa/MetrópolesVinicius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 21/08/2018 16:14

Após a prisão de Mateus Rosa dos Santos, 19 anos, a Polícia Civil do DF fez a reconstituição do assassinato do estudante da Universidade de Brasília (UnB) Jiwago Henrique de Jesus Miranda, 33. O acusado disse que matou a vítima com golpes de telha e concreto, perto da Colina, na Asa Norte, devido a uma dívida de R$ 300 referente à venda de drogas.

Preso em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, na segunda-feira (20/8), Mateus mostrou aos policiais, na manhã desta terça-feira (21), o local em que deu a primeira pedrada no universitário. No dia do crime, o suspeito estava acompanhado de um adolescente de 16 anos – já identificado, mas ainda foragido.

O acusado disse que, após levar Jiwago para o matagal, deu quatro golpes com telha na cabeça do estudante. A vítima tentou escapar, mas Mateus e o adolescente puxaram o universitário pelas pernas e bateram nele com um pedaço de concreto.

De acordo com o suspeito, quando foram embora, Jiwago ainda estava respirando. “O preso também alega legítima defesa, mas acreditamos que foi um crime prestes a ocorrer. Eles tinham intenção de ceifar a vida da vítima”, afirmou Laércio Rosseto, delegado-chefe da 2ª DP (Asa Norte).

Para a polícia, o trabalho de campo foi fundamental para a conclusão do caso. “Começamos a garimpar pistas. Uma testemunha viu a vítima saindo junto com o autor. Ao falar com um e outro e recolher provas, acabamos chegando ao suspeito”, explicou o delegado.

O criminoso tem diversas passagens pela polícia, mas, como era adolescente à época, o delegado não pode detalhar os atos infracionais. A perícia constatou que o crânio de Jiwago foi esfacelado.

O crime
O corpo de universitário foi encontrado no dia 23 de junho, próximo a casas e apartamentos onde moram alunos e professores da UnB. Horas antes do crime, uma das câmeras do campus filmou o estudante de filosofia ainda com vida. Na semana anterior, ele havia aparecido na universidade com um olho roxo e disse a professores e colegas ter se envolvido em uma briga, mas sem dar detalhes do atrito.

Ex-esposa de Jiwago Vanice Silva Dantas, 47, disse estar fora de Brasília, mas retornará na quarta-feira (22). “Quero saber se a polícia vai manter esse assassino preso ou se a Justiça vai soltá-lo. Ninguém merece morrer da forma como ele morreu”, pontuou.

Bipolar
Matriculado no curso de filosofia, Jiwago era membro da comunidade acadêmica havia nove anos. Durante o dia, frequentava as aulas. À noite, dormia em cantos escondidos da universidade. O rapaz despertava atenção dos colegas por ser gentil e educado. Mas, nos últimos meses, não parecia bem e se mostrava hostil com quem se aproximava.

Conforme relatos de familiares e amigos, Jiwago foi diagnosticado com bipolaridade e esquizofrenia. Como desde 2016 não seguia o tratamento prescrito, encontrava-se “extremamente surtado”. De acordo com Vanice, o ex-marido não estava conseguindo, há mais de dois anos, pegar os remédios na rede pública. A falta de medicação o deixou à mercê dos efeitos das doenças.

Em junho, o estudante teria ofendido e ameaçado servidoras e funcionárias terceirizadas que atuam no restaurante universitário. “Uma delas chegou a registrar queixa na polícia. Por conta disso, estava suspenso do RU desde o dia 14”, informou a UnB.

Jiwago vivia em situação de rua há, pelo menos, dois anos. “Recebia acompanhamento dos psicólogos da Diretoria de Desenvolvimento Social, do Decanato de Assuntos Comunitário (DDS/DAC) da UnB. Entre os meses de abril e maio, a equipe do DDS chegou a ministrar o medicamento que ele precisava tomar diariamente [e que havia sido prescrito pelo serviço de saúde]”.

Ao longo dos anos, Jiwago foi diversas vezes levado aos Caps responsáveis pelo tratamento de saúde mental, uso de álcool e drogas, ao Hospital de Pronto Atendimento Psiquiátrico (HPAP) e ao Hospital Universitário de Brasília (HUB). Recentemente, devido às condições sociais e de saúde do estudante, o Decanato recomendou que o aluno fosse recebido pela emergência do HUB.

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