Polícia prende suspeito de matar aluno da UnB com pedrada

O corpo de Jiwago Henrique foi encontrado em um matagal, em maio, próximo a residências de professores e alunos da universidade

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atualizado 21/08/2018 9:16

Quase dois meses depois da morte brutal do aluno da Universidade de Brasília (UnB) Jiwago Henrique de Jesus Miranda, 33 anos, a Polícia Civil prendeu, nesta segunda-feira (20/8), o suspeito do assassinato. Mateus Rosa dos Santos, 19 anos, foi localizado em Luziânia (GO). Ele confessou o crime, mas não revelou os motivos que o levaram a matar o estudante.

O corpo de Jiwago foi encontrado no dia 23 de maio, próximo a casas e apartamentos onde moram alunos e professores da UnB. No local, havia uma pedra com a qual, de acordo com a perícia, ele teria sido atingido na cabeça.

Horas antes, uma das câmeras do campus filmou o estudante de filosofia ainda com vida. Dois dias antes, ele havia aparecido na universidade com um olho roxo e disse a professores e colegas ter se envolvido em uma briga, mas sem dar detalhes do atrito.

A ex-esposa de Jiwago, Vanice Silva Dantas, 47 anos, disse estar fora de Brasília, mas retornará na quarta-feira (22). Ela espera respostas sobre o caso, uma vez que os motivos ainda não estão esclarecidos.

“Meu sentimento é de injustiça. Eles precisam apresentar esse suspeito. Ele tem de dizer por que matou o Jiwago. Eu quero saber se a polícia vai manter esse assassino preso ou se a Justiça vai soltá-lo. Ninguém merece morrer da forma como ele morreu”, lamentou Vanice. “Ele não está aqui e não vai voltar mais, mas esse cara precisa pagar pelo que fez”, desabafou a mulher.

Bipolar
Matriculado no curso de filosofia, Jiwago era membro da comunidade acadêmica havia nove anos. Durante o dia, ele frequentava as aulas. À noite, dormia em cantos escondidos da universidade. Ele despertava atenção dos colegas por ser gentil e educado. Mas, nos últimos meses, não parecia bem e estava agressivo com quem se aproximava.

Segundo relatos de familiares e amigos, Jiwago foi diagnosticado com bipolaridade e esquizofrenia. Como desde 2016 não seguia o tratamento prescrito, encontrava-se “extremamente surtado”. De acordo com Vanice, o ex-marido não estava conseguindo, há mais de dois anos, pegar os remédios na rede pública. A falta de medicação o deixou à mercê dos efeitos das doenças.

Em junho, ele teria apresentado comportamento agressivo, tendo ofendido e ameaçado servidoras e funcionárias terceirizadas que atuam no restaurante universitário. “Uma delas chegou a registrar queixa na polícia. Por conta disso, estava suspenso do RU desde o dia 14”, informou a UnB.

Jiwago vivia em situação de rua há, pelo menos, dois anos. “Recebia acompanhamento dos psicólogos da Diretoria de Desenvolvimento Social, do Decanato de Assuntos Comunitário (DDS/DAC) da UnB. Entre os meses de abril e maio, a equipe do DDS chegou a ministrar o medicamento que ele precisava tomar diariamente (e que havia sido prescrito pelo serviço de saúde)”.

Ao longo dos anos, o estudante foi diversas vezes levado aos Caps responsáveis pelo tratamento de saúde mental, uso de álcool e drogas, ao Hospital de Pronto Atendimento Psiquiátrico (HPAP) e ao Hospital Universitário de Brasília (HUB). Recentemente, devido às condições sociais e de saúde de Jiwago, o Decanato recomendou que ele fosse recebido pela emergência do HUB. O hospital estava a postos para acolhê-lo.

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