Para ex-mulher de estudante da UnB, quem matou Jiwago o conhecia

Nesta terça, Vanice Silva Dantas entrou com pedido de diploma in memoriam do ex-companheiro. Colegas prestaram homenagens no CA de filosofia

atualizado 26/06/2018 21:42

Filipe Cardoso/ Especial para o Metrópoles

Pelo menos 30 estudantes dos cursos de filosofia e ciências sociais da Universidade de Brasília (UnB) se reuniram na noite desta terça-feira (26/6) para homenagear o aluno Jiwago Henrique de Jesus Miranda, de 33 anos, encontrado morto no último sábado (23), em um matagal nas proximidades do Bloco J da Colina. Ele foi golpeado na cabeça com uma pedra.

Os alunos pregaram cartazes com os dizeres “Jiwago presente” e “Estudantes de filosofia em luto”. No Centro Acadêmico de Filosofia (Cafil), onde aconteceu a homenagem, os discentes acenderam velas, leram poemas e deixaram flores.

A música que Jiwago costumava cantar – Hoje a noite não tem luar, da Legião Urbana – também foi tocada e cantada pelos graduandos presentes. Alguns não conseguiram conter as lágrimas.

“Ele não merecia isso. Foi uma covardia o que fizeram. Sempre foi muito tranquilo. Hoje vemos o tanto que gostavam dele”, disse, emocionada, a ex-mulher do estudante, Vanice Silva Dantas, 47. Ela conviveu com Jiwago durante 13 anos: juntos, eles tiveram dois filhos gêmeos. Nesta terça, Vanice deu entrada no pedido de diploma in memoriam do ex-marido – antes de falecer, ele concluiu o trabalho final de filosofia e foi aprovado.

Vanice também tem acompanhado de perto as investigações do caso, a cargo da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). Não sabe de inimizades do ex-companheiro, mas contou que o estudante já havia sido agredido por outros alunos na universidade. “Como vivia nessa situação marginalizada, chegou a ser espancado outras vezes, mas ninguém imaginou que isso fosse acontecer”, destacou. “Quem matou Jiwago conhecia ele”, disse, convicta.

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Matriculado no curso de filosofia, Jiwago era membro da comunidade acadêmica há nove anos. Durante o dia, frequentava as aulas. À noite, dormia em cantos escondidos da universidade. Ele vivia em situação de rua há, pelo menos, dois anos. Despertava a atenção dos colegas por ser gentil e educado. Mas, nos últimos meses, não parecia bem e estava agressivo.

Segundo familiares e amigos, Jiwago foi diagnosticado com bipolaridade e esquizofrenia. Como desde 2016 não seguia o tratamento prescrito, estava “extremamente surtado”. De acordo com Vanice, o ex-marido não estava conseguindo, havia mais de dois anos, pegar os remédios na rede pública de saúde. A falta de medicação o deixou à mercê dos efeitos dos distúrbios.

A causa mais provável da morte do estudante, segundo a polícia, estaria relacionada ao tráfico de drogas – um cachimbo usado para consumir crack foi apreendido ao lado do corpo.

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