Amigo de jovem suspeito de tráfico de animais presta novo depoimento à PCDF

Um documento ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade revela que Gabriel Ribeiro sente-se ameaçado ao proteger o pai de Pedro

atualizado 29/07/2020 13:22

Gabriel Ribeiro, amigo de Pedro Krambeck, preso na 14ª DPHugo Barreto/ Metrópoles

No mesmo dia da prisão de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22, jovem suspeito de envolvimento com tráfico de animais silvestres no DF, Gabriel Ribeiro, 24, amigo do rapaz, presta um novo depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal. O estudante, acusado de crime contra o meio ambiente e de tentar obstruir a investigação da PCDF, chegou à 14ª Delegacia de Polícia (Gama) pouco antes das 13h desta quarta-feira (29/7).

Vestido de branco, traje característico de quem está no sistema penitenciário do DF, Gabriel chegou à delegacia com o rosto coberto por um casaco. Com uma marmita de isopor nas mãos, o suspeito não falou com a imprensa e entrou na unidade policial de cabeça baixa.

Veja o vídeo que mostra o rapaz chegando à DP:

Um novo documento que faz parte do inquérito conduzido pela PCDF, ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade, aponta que Gabriel, acusado de esconder a cobra Naja, “encontra-se visivelmente ameaçado”, uma vez que procura proteger o padrasto de Pedro, o coronel da Polícia Militar do DF (PMDF) Clovis Eduardo Condi. Tanto Gabriel quando Pedro estão presos temporariamente.

Segundo o documento, desde o início das investigações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama), integrantes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) têm atuado na tentativa de desvincular as serpentes localizadas dos investigados.

“Conforme fica evidenciada, inclusive por denúncia anônima, a atuação de policiais daquele Batalhão na tentativa de ocultar os fatos, bem como pelo depoimento de Gabriel no sentido de que foi interrogado por policiais militares no Cetas/Ibama, quando foi realizar a entrega espontânea de duas serpentes, após orientação, e pelo fato de ter o BPMA comparecido à residência de Gabriel no dia anterior ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, fato que atrapalhou sobremaneira as investigações”, destacou a PCDF.

Após ser picado por uma Naja, Pedro se tornou suspeito de integrar associação criminosa de tráfico de animais. Durante as apurações, os policiais chegaram até Gabriel Ribeiro, que escondeu a serpente perto do Shopping Pier 21, no Lago Sul. Ele é acusado de crimes de maus-tratos, posse ilegal de animais silvestres e crime contra a saúde pública.

 

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Investigadores da 14ª DP detalham que as serpentes encontradas com Pedro eram mantidas em caixas empilhadas à vista de qualquer visitante e que a criação de camundongos era feita na área de serviço da residência em que rapaz mora com a mãe, Rose Meire, e o padrasto, no Guará.

Tráfico

Segundo a PCDF, a partir dos elementos colhidos durante as investigações, foi possível verificar, pela grande quantidade de animais apreendidos, que “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador.”

A afirmação é corroborada por mensagens de texto trocadas entre o jovem e Rose Meire (mãe de Pedro). Na ocasião, Pedro passava pela cidade de Ibotirama (BA) e trazia consigo uma cobra.  Ele também mantinha contatos de outros traficantes de animais.

Com relação ao coronel Clovis Eduardo Condi, da PMDF, embora também ele já tenha negado que tivesse conhecimento das serpentes, há elementos que ligam o militar aos crimes. Os investigadores tiveram acesso a imagens do elevador do condomínio residencial da família e na casa de Gabriel Ribeiro, o amigo de Pedro que também está preso.

As gravações mostram o militar ajudando a esconder cobras clandestinas. Condi, acompanhado por seu filho menor, retirou as serpentes do interior da residência da família, e mandou, juntamente com Rose Meire, que Gabriel “desse sumiço” nos animais, os quais foram localizados em um haras de Planaltina. Gabriel contou com o auxílio de uma mulher.

Prisão

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl foi preso em casa, na madrugada desta quarta-feira (29/7), conforme revelado pelo Metrópoles.

O estudante, de 22 anos, foi picado por uma cobra Naja kaouthia que criava como animal de estimação, apesar de a serpente não ser natural de nenhum habitat brasileiro. A suspeita é que o animal tenha sido trazido para o Distrito Federal a partir de uma licença irregular, emitida por uma servidora do próprio Ibama, que já foi afastada do cargo.

O mandado de prisão temporária foi cumprido no âmbito da quarta fase da Operação Snake e teve apoio de uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) da PCDF e da Polícia Federal.

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