Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Vinicius Passarelli

Dobradinha Nunes-Tarcísio ensaia mobilização de bases para campanha de 2030

Ricardo Nunes busca se consolidar como principal nome do grupo para evitar concorrência interna na disputa pelo Governo de SP em 2030

06/09/2026 04:00
Dobradinha Nunes-Tarcísio ensaia mobilização de bases para campanha de 2030
Dobradinha Nunes-Tarcísio ensaia mobilização de bases para campanha de 2030

A mobilização das bases do entorno do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em prol da campanha à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto sedimenta um grupo político que, na avaliação de seus membros, entrará em campo também em 2030.

Segundo diversos aliados e relatos do próprio prefeito a interlocutores, ele tem em seu horizonte a disputa do Governo de São Paulo na próximo eleição, com o apoio de Tarcísio. O governador também já afirmou nos bastidores que, hoje, seu nome preferido para a sucessão no Palácio dos Bandeirantes é o prefeito de São Paulo.

Um dos empecilhos para o projeto, apontado por políticos próximos da dupla, é o “hiato” que Nunes terá após deixar a prefeitura em 2028. Até a eleição de 2030, ele terá de se manter nos holofotes para chegar forte na disputa.

Para isso, existe a possibilidade de Nunes assumir uma secretaria de Tarcísio no governo paulista ou mesmo um ministério na gestão Flávio Bolsonaro, caso o “filho 01” ganhe a eleição. Caso contrário, o prefeito terá de adotar uma estratégia para continuar em evidência.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Tarcísio e Nunes consolidaram sua aliança em 2024, na campanha à reeleição de Nunes. O empenho do governador foi fundamental para garantir que o prefeito não perdesse a vaga no segundo turno para o ex-coach Pablo Marçal (PRTB); Neste pleito, Nunes busca “retribuir” o esforço colocando o seu time em campo na campanha do atual mandatário.

Sem a mesma participação de Gilberto Kassab e do PSD que marcou a campanha de 2022, integrantes do MDB ligados a Nunes assumiram tarefas de mobilização e organização de eventos do governador. Vitor Arruda, secretário-executivo da Prefeitura, e Diogo Soares, secretário municipal de Habitação, foram escalados para atuar na coordenação das agendas na Grande São Paulo. Os dois estão entre os nomes de maior confiança de Nunes.

Na campanha de 2026, o próprio prefeito passou a exercer uma função que extrapola a gestão municipal. Ao mesmo tempo que participa da mobilização em torno da reeleição de Tarcísio, o prefeito se tornou um dos principais articuladores da candidatura presidencial de Flávio em São Paulo, se movimentando até mais que Tarcísio neste sentido.

Em agosto, Nunes levou Flávio a agendas na zona leste da capital, reuniu empresários e lideranças locais e organizou um almoço político com a presença de Tarcísio, candidatos e dirigentes partidários.

Na ocasião, chegou a cobrar que candidatos a deputado da coligação incluíssem nos santinhos tanto o número de Tarcísio quanto o de Flávio Bolsonaro. O prefeito também tem aproximado Flávio de vereadores e outros prefeitos da região.

Para o ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, tratado como um “comício” da campanha de Flávio, Nunes tem pedido o reforço das bases ligadas a vereadores e até de subprefeitos.

Aliados enxergam que o prefeito busca se aproximar cada vez mais da família Bolsonaro mirando também em 2030.

Uma das leituras é de que, caso Flávio vença a eleição, o PL pode querer ter um candidato próprio tanto para a eleição municipal em São Paulo em 2028 como para o governo paulista em 2030 – o que atrapalhará os planos políticos do prefeito.

Neste sentido, o emedebista estaria se antecipando para ele próprio ser a figura do bolsonarismo na capital. Aliados atentos ao cenário também comentam que o fato de Tarcísio ter articulado a ida de seu vice Felício Ramuth para o MDB acende o alerta para o grupo de Nunes. À época, o prefeito foi contra o movimento quando questionado pelo presidente da legenda, Baleia Rossi, sobre a ideia.

Caso o governador de fato dispute a presidência em 2030, ele terá de deixar a cadeira para Ramuth, que chegará a eleição no comando do cargo e, naturalmente, poderá se colocar como candidato. A interlocutores, Nunes afirma Felício se comprometeu a não “ficar no seu caminho” caso o prefeito queira tentar o Palácio dos Bandeirantes e que fará o que for melhor para o projeto de Tarcísio.

O entorno de Nunes também entende que, para se consolidar como o principal nome da direita para a sucessão de Tarcísio, ele precisa demonstrar força política fazendo o seu sucessor na prefeitura. Nos bastidores, o prefeito tem trabalhado membros do seu grupo para ocupar esse espaço.

O mais citado é o vereador e ex-secretário de Habitação, Sidney Cruz (MDB), que tenta uma vaga na Câmara dos Deputados em campanha dobrada com a primeira-dama, Regina Nunes, candidata a deputada estadual. A aliados, Nunes comenta que enxerga semelhanças na trajetória de Cruz com a sua: uma figura que saiu da periferia da zona sul, virou vereador e, na Câmara Municipal, foi relator do orçamento da cidade em diferentes anos.

Outro nome falado, em menor grau, é Fabrício Cobra, atual secretário de subprefeituras e também de confiança de Nunes. Aliados, no entanto, enxergam Cobra de perfil mais de gestão e não eleitoral.

Outras costuras também são especuladas. Uma delas é Nunes e Tarcísio apostarem no ex-governador Rodrigo Garcia como o candidato do grupo à Prefeitura de São Paulo. No ano passado, Garcia entrou no Republicanos, partido do Tarcísio, e ao longo do mandato se aproximou do governador.

Tarcísio ensaia coalizão para 2030

Para a reeleição, Tarcísio de Freitas conseguiu construir um amplo arco de alianças no seu entorno, contratando com a campanha nacional de Flávio, que não conseguiu atrair outros partidos além do PL para a coligação.

Oficialmente, estão na coligação de Tarcísio: Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, PRF, Solidariedade, União Brasil e PP. Outras legendas, no entanto, também são aliadas, como o Podemos, PSDB, Cidadania, Novo e Missão.

Na primeira parte da corrida, Tarcísio compareceu a diversos eventos de lançamento de campanha de candidatos de partidos aliados. Para a largada oficial, escolheu participar de ato do ex-prefeito Rogério Lins, de Osasco, que foi secretário de Esportes de Ricardo Nunes.

A cidade da Grande São Paulo representa um modelo de frente política que interessa ao governador: na eleição municipal de 2024, Gérson Pessoa foi eleito por uma aliança que reuniu 17 partidos. O grupo é considerado importante para a mobilização eleitoral na Grande São Paulo.

A lógica é reproduzida em outras regiões. Ao longo da campanha, Tarcísio e seus aliados procuram fortalecer vínculos com prefeitos, vereadores e grupos locais, visando a rede política de uma eventual candidatura presidencial em 2030.

Dobradinha Nunes-Tarcísio ensaia mobilização de bases para campanha de 2030