Entorno de Tarcísio cobra explicações de Kassab sobre declaração de Vorcaro
Aliados de Tarcísio entendem que governador já deu esclarecimentos e que ônus de explicações é de Kassab, citado diretamente por Vorcaro

O entorno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem cobrado nos bastidores que o ex-secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), esclareça a declaração feita pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro de uma suposta propina oferecida por meio de doação eleitoral em 2022.
Preso no escândalo do Banco Master, Vorcaro disse em proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – sendo R$ 2 milhões para o governador paulista e outros R$ 3 milhões para o ex-presidente –, foi uma negociação de propina.
Os repasses foram feitos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero. Ele foi o maior doador individual da dupla. Segundo o ex-baqueiro, os recursos representam “contrapartidas financeiras” decorrentes de “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.
Revelado pelo Uol nesta quinta-feira (3/9), o relato de Vorcaro consta em delações negadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo pessoas próximas ao governador ouvidas pela coluna, o sentimento dentro da campanha seria de que Tarcísio já se manifestou sobre o caso e que o “ônus” das explicações cabe a Kassab. De acordo com um fonte do Palácio dos Bandeirantes, o governador reforçou a aliados que não conhece Zettel e que à época, ainda como candidato, também não tinha conhecimento sobre o referido contrato com o Credcesta.
Pessoas envolvidas na arrecadação da última campanha também afirmam estranhar a alegação feia pelo banqueiro, já que a doação foi feita diretamente pelo CPF do cunhado de Vorcaro, o que confere transparência ao repasse e afastaria as suspeitas de ilegalidade.
No mesmo dia da notícia sobre a declaração do ex-dono do Master, Kassab comentou o caso e negou irregularidades.
“Eu nem apoiei o Bolsonaro para presidente e nunca tive nenhuma relação com Vorcaro, muito menos com doação para a campanha que enquadra eles. Que se apure. Vocês vão ver que é fantasioso isso. Uma ilação, ou uma ação de má fé”, afirmou o candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República.
O que dizem Tarcísio e Kassab
Também nessa quinta-feira (3/9), Tarcísio afirmou que a declaração do ex-banqueiro “beira o ridículo”.
“É uma ilação que beira o ridículo. Imaginar que eu vou pedir algum favorecimento ou que o presidente Bolsonaro ia pedir algum favorecimento é uma coisa que não faz o menor sentido”, afirmou o governador, em entrevista a jornalistas durante um evento em Indaiatuba, no interior paulista.
Tarcísio ainda afirmou que a instituição que operava o Credcesta em São Paulo foi credenciada para atuar no estado ainda no governo João Doria (então no PSDB) e que atendia aos requisitos do Banco Central.
“A gente tem, no estado de São Paulo, 217 instituições que fazem consignação. É um credenciamento. Quem cumpre requisitos do Banco Central é credenciado, não tem como negar o credenciamento”, disse Tarcísio, afirmando que a autorização para a empresa foi desfeita assim que houve a liquidação do Banco Master.
O governador voltou a dizer, ainda, que nunca esteve com Vorcaro ou Zettel. “É um absurdo essa ilação”.
Kassab estava na mesma agenda que Tarcísio, o lançamento da candidatura a deputado estadual de Rogério Nogueira (PSD), nesta noite. Durante o evento, no entanto, cada um ficou de um lado do palco.




