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São Paulo

Vorcaro diz que doações a Tarcísio e Bolsonaro em 2022 eram propina

Em proposta de delação, o ex-banqueiro preso no escândalo do Master afirmou que a verba representa "ajuste indevido com Gilberto Kassab"

03/09/2026 17:48, atualizado 03/09/2026 17:50
Reprodução / Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo / Breno Esaki/Metrópoles
Daniel Vorcaro, Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro - Metrópoles

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, disse em proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — sendo R$2 milhões para o governador paulista e outros R$ 3 milhões para o ex-presidente –, em 2022, foi uma negociação de propina. Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na operação Compliance Zero, foi o maior doador dos políticos.

Segundo o ex-baqueiro, os recursos representam “contrapartidas financeiras” devido a um “ajuste indevido com Gilberto Kassab [presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio] para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.

Revelado pelo Uol nesta quinta-feira (3/9), o relato de Vorcaro consta em delações negadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em trecho da tentativa de delação, Vorcaro afirmou que, com a provável eleição de Tarcísio, o sócio do banco Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, principal ativo do Master, tentou assegurar a continuidade do negócio com o governo de São Paulo.

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De acordo com Vorcaro, o pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. No entanto, “Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”.

No fim de agosto, Vorcaro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a proposta de delação foi negada pela terceira vez, sob a justificativa de ausência de fatos novos.

O depoimento do banqueiro ocorreu na última quinta-feira (27/8), na penitenciária da Papudinha, e foi tomado por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. A oitiva foi acompanhada por dois advogados de Vorcaro, Daniel Bialski e Engels Muniz, além de integrante do Ministério Público.

O que dizem Tarcísio e Kassab

Procurados pelo Metrópoles, Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas negaram ter ligação com Daniel Vorcaro. Augusto Lima não se manifestou.

Kassab argumentou que o relato de Vorcaro é “absolutamente fantasioso”. “Refuto com veemência”, disse o dirigente do PSD. “Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone”, argumentou.

“Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, acrescentou Kassab, em nota.

Em comunicado, a assessoria Tarcísio destacou que a campanha de 2022 “contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral”. “O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas da campanha foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral”, alegou.

“No caso da PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, o credenciamento como consignatária ocorreu em maio de 2022, portanto, na gestão anterior, e conforme as regras vigentes. Esse credenciamento não constitui contrato com o Estado e não envolve qualquer repasse de recursos públicos. Trata-se exclusivamente de uma habilitação que permite aos servidores escolher livremente, entre as instituições autorizadas, aquela com a qual desejam realizar operações consignadas”, completou a nota de Tarcísio.