Tácio Lorran

Como homem preso por ataque hacker se apresenta em rede social

Polícia Civil prendeu João Nazareno Roque por suspeita de desviar ao menos R$ 541 milhões em ataque hacker

atualizado

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1 de 1 Imagem de hacker em ação - Metrópoles - Foto: Milan_Jovic/Getty Images

“Vontade de recomeçar com brilho nos olhos e disposição de um menino”: é assim que o operador de TI da C&M Software João Nazareno Roque, de 48 anos, suspeito de participar do maior ataque hacker da história do Brasil, se define no Linkedin. A Polícia Civil de São Paulo (PCSP) o prendeu na noite de quinta-feira (3/7) por envolvimento no desvio de pelo menos R$ 541 milhões. A fraude pode chegar a R$ 3 bilhões.

Roque se identifica como desenvolvedor back-end junior na rede social. Também diz ter 20 anos de experiência como eletricista predial e residencial, leitura e interpretação de projetos no AutoCad, entre outras funções.

O desenvolvedor relata na que quis mudar de vida. Por isso, entrou num curso superior e afirma que busca se recolocar no mercado de trabalho em áreas que considera paixões profissionais.

Veja a biografia dele:

João Nazareno Roque - ataque hacker

Como a coluna revelou nesta sexta-feira (4/7), Roque também ganhou R$ 8.950 de auxílio emergencial em São Paulo de abril de 2020 a outubro de 2021, além de mais uma parcela em janeiro de 2022, mostram dados oficiais do Portal da Transparência. Os valores mensais variaram de R$ 250 a R$ 3 mil.

Sobre o maior ataque hacker da história brasileira

O ataque aconteceu por meio da invasão aos sistemas da C&M, empresa terceirizada de instituições financeiras e responsável pela mensageria com o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Isso engloba o ambiente de liquidação do Pix, sistema de transferências e pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) em 2020. O insider confessou ter concedido acesso a dados sigilosos a criminosos, os quais o teriam aliciado.

Assista ao vídeo da prisão dele:

Segundo a Polícia Civil, as investigações sobre o ataque hacker apontaram que Roque facilitava “que demais indivíduos realizassem transferências eletrônicas em massa, no importe de R$ 541 milhões, para outras instituições financeiras”. Isso ocorreu após passar a senha a operadores do esquema.

A PCSP continua as investigações para identificar e prender outros suspeitos de envolvimento no ataque hacker. Existe, também, outro inquérito sobre o caso, instaurado pela Polícia Federal (PF).

Já o BC determinou o desligamento das conexões da C&M com instituições afetadas, como medida preventiva. A BMP informou que o ataque atingiu apenas recursos de sua conta reserva no BC e que nenhum cliente foi prejudicado.

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