Ataque hacker: governo registra 5 mil incidentes cibernéticos em 2025
Apenas neste ano, já foram 3 mil incidentes cibernéticos de vazamento de dados, segundo painel do GSI

O maior ataque hacker do país que drenou milhões via PIX em minutos, investigado pela Polícia Federal (PF), não é um caso isolado de incidente cibernético dentro de estruturas e órgãos do governo federal.
Apenas neste ano, o governo Lula já registrou 4,8 mil ataques hackers de todo tipo que ocorreram no âmbito da Administração Pública. Uma média de 26 casos por dia. Desse total, 3 mil ocorrências foram de vazamento de dados.
As informações foram levantadas pela coluna junto ao painel CTIR Gov do Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo, que é gerenciado e monitorado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
A plataforma não informa quais órgãos, ministérios e infraestruturas estratégicas do país foram alvo de ataque hacker.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA pasta classifica como um incidente de segurança “qualquer evento adverso, confirmado ou sob suspeita, relacionado à segurança dos sistemas de computação ou das redes de computadores”.
Em 2024 foram 9,8 mil incidentes, o maior número registrado desde 2021, início da série histórica. Já em 2023, primeiro ano do governo Lula, o GSI registrou 4,9 mil ocorrências de incidentes cibernéticos.

Os tipos de incidentes cibernéticos mais comuns
- Abuso de Sítio Web: Notificações de incidentes relacionados a comprometimentos confirmados de servidores ou desfigurações de páginas Web na Internet.
- Abuso no Serviço de E-mail (SMTP): Notificações de incidentes ligados à utilização indevida de credenciais de acesso a e-mail.
- Página Falsa: Notificações de incidentes sobre páginas fraudulentas, normalmente usadas para capturar dados de usuários.
- Phishing: Notificações de incidentes relacionados a e-mails com conteúdo malicioso ou não-solicitado.
- Scan: Notificações de incidentes sobre tráfego não-usual, como varreduras em redes de computadores.
- Vazamento de Dados: Notificações de incidentes relacionados à dados indevidamente expostos na Internet.
Software Vulnerável: Notificações preventivas alertando sobre necessidade de atualização de determinado sistema, visando evitar explorações ou outras atividades maliciosas. - Vulnerabilidade de Criptografia: Notificações preventivas alertando sobre necessidade de atualização de sistemas criptográficos vulneráveis a ataques contra a confidencialidade de dados.
- Vulnerabilidade DRDoS: Notificações preventivas sobre serviços que permitem amplificação, normalmente abusados por agentes maliciosos para compor ataques de negação de serviços distribuídos por reflexão (DRDoS).
Entenda o ataque hacker ligada ao Pix que pode ter desviado R$ 1 bilhão
Conforme mostrou a coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, a Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar o ataque cibernético que resultou no desvio de centenas de milhões de reais de contas ligadas ao Banco Central, por meio da infraestrutura da empresa C&M Software.
A operação, considerada uma das mais sofisticadas já registradas contra o sistema financeiro brasileiro, atingiu contas de liquidação de, ao menos, oito instituições bancárias e não bancárias, provocando um impacto em cadeia nos sistemas de pagamento.
Os investigadores, agora, buscam identificar os autores do crime, mapear o caminho do dinheiro e esclarecer como as credenciais de acesso foram comprometidas.
A principal hipótese é de que criminosos tenham explorado brechas de segurança em sistemas de mensageria entre instituições financeiras e o Banco Central, usando credenciais legítimas de clientes da C&M, empresa que atua como intermediária na integração de bancos menores ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
O foco da apuração está em compreender como essas credenciais foram obtidas e como o ataque foi executado com tamanha rapidez. Em poucos minutos, os invasores conseguiram movimentar valores expressivos via Pix a partir das chamadas “contas reserva”, que funcionam como cofres digitais de liquidação entre instituições financeiras.
Apenas da empresa BMP, especializada em soluções de banking as a service, foram desviados R$ 400 milhões. O prejuízo total estimado já ultrapassa R$ 800 milhões, podendo chegar a cifras superiores a R$ 3 bilhões.




