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Orgasmo não é obrigação nem “termômetro” de prazer, afirma sexóloga
Ao Metrópoles, sexóloga afirma que o orgasmo vai além do sexo, ele está nas conexões, nas carícias e no autoconhecimento
atualizado
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Apesar de o orgasmo ter um dia só seu, celebrado em 31 de julho, o tema ainda é envolto por tabus, ideias pré-concebidas e questões que precisam ser esclarecidas. Entre elas, a afirmação de que um bom sexo só é possível e válido se resultar nesse clímax.
A coluna Pouca Vergonha conversa com a sexóloga especialista em bem-estar sexual Chris Marcello, que destaca a importância do prazer sexual ser entendido não como um fim, mas como um processo de descoberta pessoal e conexão com o próprio corpo.
Para a especialista, a experiência do orgasmo é válida, mas o que a precede, o toque, a escuta, a entrega, é o que realmente transforma e enriquece as relações. “O orgasmo é um desfecho potente, mas, quando nos fixamos apenas nele, esquecemos de valorizar a riqueza de sensações e trocas que acontecem no caminho. O prazer precisa ser vivido com presença e consciência”, afirma.

“Ao longo da história, construímos a ideia de que o sexo só é bom, válido e satisfatório se houver orgasmo, especialmente para mulheres. Isso transforma o prazer em obrigação, gerando ansiedade, frustração e até disfunções sexuais, como se o orgasmo fosse um ‘termômetro’ da vida sexual”, comenta.
De acordo com a profissional, que é e CEO da ItSophie, muitas vezes, as mulheres se sentem tão pressionadas que, para não frustrarem o outro, acabam fingindo – e esse percentual é alto: diversas pesquisas apontam que mais de 60% delas já fizeram isso, como detalha Marcello.
A sexóloga esclarece que a expectativa excessiva desvaloriza os momentos de intimidade: o toque, a conexão, a ludicidade e a leveza, aspectos tão importantes nesta equação.
“O sexo pode ser prazeroso mesmo sem orgasmo. Para isso, a mulher precisa se permitir conhecer e investir nesse processo: experimentar sensações que vão além da genitalidade. Explorar o corpo com curiosidade, mapeando-o de forma erótica. Descobrir quais sentidos mais mexem com ela, o toque adequado, as palavras, quais os gatilhos para a excitação. Isso se aprende de forma intuitiva e exploratória”, explica Marcello.
Sexualidade saudável
A sexóloga defende que práticas de autocuidado, como o uso consciente de cosméticos sensoriais e momentos de pausa para o próprio corpo, são ferramentas importantes para se reconectar com o prazer e atuam como um convite ao autoconhecimento e ao prazer sem culpa, por meio de um olhar feminino e acolhedor para a sexualidade.
“A masturbação faz parte de uma sexualidade saudável, ela permite ganhar consciência corporal e domínio sobre o próprio prazer. Essa autonomia, na prática, beneficia a relação da mulher com o seu corpo e com o outro — podendo melhorar a intimidade do casal. Além disso, a masturbação mútua é altamente estimulante e uma ótima forma de aprender sobre os corpos”, descreve.
A profissional ainda acrescenta que técnicas como edging, gooning ou surfing, pelas quais o orgasmo é controlado, retardado ou evitado, atuam em tempos diferentes do ciclo de resposta sexual.
“Podem ser praticadas sozinhas, também como ferramenta de autoconhecimento, mantendo um alto nível de excitação por um longo período sem atingir o clímax. A gratificação sexual definitivamente vai além do orgasmo e do sexo genital. Está na proximidade, na conexão, nas carícias, nas fantasias, e, principalmente, no autoconhecimento”, emenda Marcello.


















