Esperar o Carnaval acabar para começar a namorar é uma boa ideia?
Especialista explica por que adiar o compromisso pela folia costuma ser mais um sinal de insegurança emocional do que de “tempo certo”

Durante o Carnaval, muitos casais que estão em fase de transição — saindo do “ficar” para algo mais sério — acabam esbarrando em uma dúvida clássica: assumir o namoro agora ou deixar para depois da folia?

Receba no seu email as notícias da coluna Pouca Vergonha
Frequência de envio: Semanal
Ver todasNesse contexto, algumas pessoas sentem que oficializar um relacionamento antes dos blocos pode soar como abrir mão de experiências, enquanto outras enxergam justamente o contrário: a vontade de firmar algo para atravessar esse momento com mais segurança emocional.

Apesar do imaginário coletivo, Lucas Scudeler, psicanalista e especialista em relacionamentos, destaca que esperar o Carnaval para começar a namorar raramente é uma boa ideia — porque o problema quase nunca está na data, e sim no estado interno de cada pessoa.
“O Carnaval simboliza a suspensão de limites, a exaltação do instinto e a diluição da responsabilidade, exatamente o oposto do que sustenta um relacionamento saudável, que nasce quando a razão governa o instinto, e não quando o instinto dita o ritmo da vida”, comenta.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa prática, segundo o especialista, “esperar o Carnaval” costuma funcionar como um álibi socialmente aceito para três questões bem comuns: medo de compromisso, apego à validação e confusão entre liberdade e maturidade. Ou seja: mais do que querer “curtir”, muitas vezes a pessoa quer manter portas abertas, preservar o sentimento de ser desejada por vários ou evitar encarar as responsabilidades afetivas que surgem quando se decide por alguém.
“Quem está pronto para se relacionar não terceiriza decisões importantes para o calendário nem negocia princípios com a agenda social”, comenta. “Quando existe clareza interna, alinhamento de valores e intenção real, não há necessidade de ‘viver tudo antes’ para então começar algo sério.”
Ainda assim, o psicanalista ressalta que assumir um namoro antes do Carnaval não significa, automaticamente, que o casal precisa viver a folia como se estivesse assinando um contrato rígido, cheio de proibições e cobranças. O ponto, segundo ele, é que o compromisso saudável nasce do diálogo e do acordo — e não da fantasia de que “depois da festa” tudo vai se resolver sozinho.
“Só faria sentido esperar se a decisão já estivesse tomada internamente e a pausa fosse curta, consciente e estratégica, nunca como adiamento indefinido ou como licença para desorganização emocional”, comenta.
Além disso, Lucas destaca que, “quem precisa esperar o Carnaval ainda não decidiu; quem decide de verdade, começa quando há verdade, respeito e direção, independentemente da festa lá fora.”





























