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Pouca vergonha

Esperar o Carnaval acabar para começar a namorar é uma boa ideia?

Especialista explica por que adiar o compromisso pela folia costuma ser mais um sinal de insegurança emocional do que de “tempo certo”

18/02/2026 02:00, atualizado 18/02/2026 14:20
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Esperar o Carnaval acabar para começar a namorar é uma boa ideia?

Durante o Carnaval, muitos casais que estão em fase de transição — saindo do “ficar” para algo mais sério — acabam esbarrando em uma dúvida clássica: assumir o namoro agora ou deixar para depois da folia?

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Nesse contexto, algumas pessoas sentem que oficializar um relacionamento antes dos blocos pode soar como abrir mão de experiências, enquanto outras enxergam justamente o contrário: a vontade de firmar algo para atravessar esse momento com mais segurança emocional.

A comunicação é crucial para evitar ciúmes e manter a segurança emocional

Apesar do imaginário coletivo, Lucas Scudeler, psicanalista e especialista em relacionamentos, destaca que esperar o Carnaval para começar a namorar raramente é uma boa ideia — porque o problema quase nunca está na data, e sim no estado interno de cada pessoa.

“O Carnaval simboliza a suspensão de limites, a exaltação do instinto e a diluição da responsabilidade, exatamente o oposto do que sustenta um relacionamento saudável, que nasce quando a razão governa o instinto, e não quando o instinto dita o ritmo da vida”, comenta.

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Na prática, segundo o especialista, “esperar o Carnaval” costuma funcionar como um álibi socialmente aceito para três questões bem comuns: medo de compromisso, apego à validação e confusão entre liberdade e maturidade. Ou seja: mais do que querer “curtir”, muitas vezes a pessoa quer manter portas abertas, preservar o sentimento de ser desejada por vários ou evitar encarar as responsabilidades afetivas que surgem quando se decide por alguém.

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“Quem está pronto para se relacionar não terceiriza decisões importantes para o calendário nem negocia princípios com a agenda social”, comenta. “Quando existe clareza interna, alinhamento de valores e intenção real, não há necessidade de ‘viver tudo antes’ para então começar algo sério.”

Ainda assim, o psicanalista ressalta que assumir um namoro antes do Carnaval não significa, automaticamente, que o casal precisa viver a folia como se estivesse assinando um contrato rígido, cheio de proibições e cobranças. O ponto, segundo ele, é que o compromisso saudável nasce do diálogo e do acordo — e não da fantasia de que “depois da festa” tudo vai se resolver sozinho.

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“Só faria sentido esperar se a decisão já estivesse tomada internamente e a pausa fosse curta, consciente e estratégica, nunca como adiamento indefinido ou como licença para desorganização emocional”, comenta.

Além disso, Lucas destaca que, “quem precisa esperar o Carnaval ainda não decidiu; quem decide de verdade, começa quando há verdade, respeito e direção, independentemente da festa lá fora.”