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Pouca vergonha

Transou sem camisinha? Infectologista revela o que fazer no Carnaval

Com muita folia, às vezes o cuidado é esquecido, mas uma infectologista explicou ao Metrópoles que é essencial garantir a prevenção

08/02/2026 02:00
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Foto de calça jeans masculina com preservativo no bolso - Metrópoles

O Carnaval é um dos períodos de maior circulação de pessoas e de permissividade — mas é também um dos momentos em que cresce o risco de exposição a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para a infectologista Naira Bicudo, a principal orientação continua sendo simples e direta: “O preservativo é essencial porque ele protege contra a imensa maioria das ISTs”, além de ser um método acessível e eficaz.

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Ela lembra ainda que, além da camisinha masculina,existem também os preservativos femininos, que são excelentes para a proteção das ISTs”.

Aglomeração de pessoas no Carnaval
O Carnaval é culturalmente percebido como um período de maior permissividade social

Mas a prevenção não se resume ao preservativo. O médico destaca que, mesmo em 2026, ainda há muita desinformação sobre métodos modernos como a PrEP e a PEP, usados especificamente contra o HIV. Segundo ela, a PrEP pode ser usada antes da relação, inclusive durante períodos como o Carnaval, enquanto a PEP é indicada quando já houve uma exposição de risco.

O alerta principal é sobre o tempo: “O ideal é iniciar o PEP o mais precoce possível, preferencialmente nas primeiras duas horas”, e ele reforça que “a gente tem um período máximo para iniciar o medicamento: 72 horas. Passou de 72 horas, não adianta mais”.

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Brasileiro inicia vida sexual aos 18 anos e tem, em média, 10 parceiros na vida, indica pesquisa conduzida pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
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O sexo é considerado uma atividade física
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Outro ponto importante é que, para mulheres, a estratégia muda. Naira explica que, nesse caso, a proteção não deve ser “de última hora”: “No caso das mulheres, o ideal é que seja feita de forma contínua”, e que “o ideal é que a mulher inicie sete dias antes da exposição para ter boa eficácia”. A orientação, portanto, é se planejar com antecedência — especialmente para quem já sabe que vai passar vários dias na folia.

Naira também traz uma novidade que vem ganhando espaço no debate mundial: a DoxiPEP, uso da doxiciclina como prevenção pós-exposição para algumas ISTs bacterianas. Para o especialista, “a coisa mais moderna dos últimos tempos é o DoxiPEP”, com eficácia principalmente contra sífilis e clamídia. Ele pondera, no entanto, que “não é uma prevenção maravilhosa, mas traz, sim, uma boa proteção”. A recomendação segue o mesmo raciocínio de urgência: “O DoxiPEP é uma dose única antes de 72 horas após a exposição”.

Essa “autorização simbólica” reduz a percepção de riscos, favorecendo impulsividade

Além de medicamentos, a médica chama atenção para um item que costuma ser esquecido no meio do glitter e blocos de rua: imunização. “Além do preservativo, um outro método de prevenção são as vacinas”, diz. Ele reforça que “a vacinação é um excelente método de prevenção contra o HPV”, e que também é fundamental manter em dia as vacinas de hepatite. “É importante estar em dia com as vacinas de hepatite B e hepatite A”, principalmente porque essas infecções também podem ser transmitidas sexualmente.

Por fim, ele reforça que a testagem é parte central da prevenção combinada — antes e depois do Carnaval. Isso porque muitas ISTs não apresentam sintomas. “Sífilis muitas das vezes é assintomática. Clamídia muitas das vezes é assintomática. O HIV muitas das vezes é assintomática”, alerta. E completa: “A pessoa não está sentindo nada e está transmitindo por aí.”

O uso de camisinhas previne, além de gravidez, diversas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)

Nesse caso, a recomendação é fazer exames antes da folia e repetir após o período, especialmente se houver relação desprotegida.

A infectologista encerra com um recado: “Em 2026 não tem desculpa: hoje nós temos muita informação e muitos métodos preventivos.” Ele também destaca que, no caso do HIV, o tratamento mudou completamente o cenário da transmissão: “Indetectável é igual a intransmissível” — ou seja, “quem está com carga viral indetectável não transmite o HIV.”