Como diferenciar desejo sexual de carência afetiva, segundo psicóloga
Você já percebeu que não era algo carnal que você buscava logo depois de transar? Psicóloga explica como distinguir carência e desejo sexual

Você já sentiu vontade de mandar mensagem para o ex ou para o “contatinho” que não presta apenas porque estava com vontade de transar e, no dia seguinte, percebeu que não era exatamente disso que precisava? Recorrer ao desejo sexual para acalentar uma necessidade que é, na verdade, afetiva costuma ser um cenário bastante comum para a maioria dos solteiros.

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Ver todasMas, calma, não precisa sentir culpa por nem sempre conseguir fazer essa diferenciação com clareza. Essa situação, além de muito natural, também é explicada pela biologia humana.
Não é motivo de culpa
Em entrevista ao Metrópoles, a docente de psicologia Lidyane Monteiro destaca que o cérebro utiliza alguns dos mesmos circuitos para buscar prazer, vínculo e segurança. Por conta disso, o que parece tesão pode ser uma necessidade de colo, de toque, de pertencimento ou de sentir-se importante para alguém.
Segundo ela, uma boa pergunta para se fazer nesses momentos é:
“Se eu pudesse receber um abraço demorado, conversar com alguém ou simplesmente me sentir acolhido, essa vontade diminuiria?”
Se a resposta for sim, talvez a necessidade principal não seja sexual, mas sim emocional.
Além disso, não é como se o sexo não suprisse alguns dos sentimentos causados pela solidão, como busca por conexão e contato físico. “Pode oferecer prazer, proximidade e uma redução temporária do estresse, mas isso não significa que resolva, de fato, a sensação de estar sozinho. Muitas pessoas percebem isso quando continuam sentindo um vazio ou até uma maior desconexão”, salienta.

É desejo sexual ou carência?
Essa situação, por si só, não consiste em um problema. No entanto, se for algo recorrente e que causa arrependimento em todas as vezes, vale fazer uma pausa antes de agir e se fazer algumas dessas outras perguntas elencadas pela especialista:
- O que estou sentindo agora?
- Estou excitado ou estou me sentindo sozinho?
- Quero viver uma experiência de prazer ou quero me sentir amado?
- Como imagino que vou me sentir depois desse encontro?

“Essas perguntas ajudam a identificar se a motivação vem do desejo sexual ou da tentativa de aliviar emoções difíceis. Quanto maior a consciência sobre o que sentimos, menores as chances de buscarmos no sexo respostas para necessidades que pertencem ao campo emocional”, ressalta a professora do curso de psicologia do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsop).
Por último, Lidyane lembra que a relação sexual pode, sim, ser uma forma legítima de prazer, mas não precisa ser a única estratégia para lidar com a solidão ou o sofrimento. “Muitas vezes, dizemos que estamos ‘com vontade de transar’, quando, na verdade, estamos tristes, ansiosos, carentes ou precisando de proximidade”, conclui.














