Mirelle Pinheiro

Saiba como funcionava o esquema de propina de gerentes do BRB

Para viabilizar as operações, o grupo utilizava contracheques falsificados e outros documentos adulterados

atualizado

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1 de 1 Saiba como funcionava o esquema de propina de gerentes do BRB - Foto: PCDF/Divulgação

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga esquema de corrupção, fraude bancária e pagamento de propina que teria operado dentro do Banco de Brasília (BRB) por meio da liberação irregular de empréstimos consignados e créditos milionários.

Segundo a investigação da Operação Crédito Corrompido, deflagrada nesta quinta-feira (28/5), o grupo criminoso era formado por correspondentes bancários conhecidos como “pastinhas”, gerentes do banco, intermediários e operadores financeiros.

De acordo com a Polícia Civil, os “pastinhas” abordavam possíveis clientes principalmente em grupos de redes sociais, apresentando-se como representantes ou assessores do BRB. O foco principal eram professores temporários e pessoas que normalmente não conseguiriam aprovação para contratação de empréstimos.

Para viabilizar as operações, o grupo utilizava contracheques falsificados e outros documentos adulterados enviados diretamente a gerentes envolvidos no esquema.

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PCDF mira esquema de propina e fraudes milionárias no BRB
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As investigações apontam que, após a aprovação fraudulenta dos empréstimos, parte do dinheiro era repassada ao grupo criminoso como “comissão”. Em alguns casos, segundo a PCDF, os próprios gerentes desviavam valores das contas das vítimas para integrantes da organização.

Com o avanço das apurações, os investigadores descobriram uma segunda frente, a liberação de empréstimos milionários mediante pagamento de propina a funcionários do banco.

Segundo a Polícia Civil, operadores financeiros atuavam diretamente com gerentes do BRB para aprovar operações de crédito de alto valor em troca de vantagens. Os investigadores suspeitam que funcionários recebiam porcentagens dos contratos liberados irregularmente.

A estrutura investigada foi dividida pela PCDF em diferentes núcleos. Um deles era formado pelos “pastinhas”, responsáveis por captar clientes e providenciar documentos falsos. Outro grupo atuava como intermediário entre os correspondentes e os gerentes do banco.

Já os gerentes investigados eram responsáveis por liberar empréstimos para clientes inelegíveis, aprovar créditos milionários e, em alguns casos, realizar desvios diretamente das contas bancárias.

A investigação também aponta a atuação de operadores financeiros suspeitos de pagar propina para facilitar aprovações internas no banco.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. A Justiça ainda determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão ligados a um gerente investigado por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de empresa de fachada.

A operação é coordenada pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor) da PCDF, com apoio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) do MPDFT e das Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Os investigados poderão responder por peculato, corrupção ativa e passiva, estelionato contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de prisão.

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