
Mirelle PinheiroColunas

PF cita “nababesco life style” ao investigar elo de Castro e Vorcaro
O termo aparece em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF)
atualizado
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A Polícia Federal (PF) utilizou a expressão “nababesco life style” para descrever o padrão de vida associado à relação entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no âmbito da investigação sobre aportes bilionários do RioPrevidência na instituição financeira.
O termo aparece em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação que apura investimentos de quase R$ 3 bilhões feitos pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais em produtos ligados ao Banco Master.
A expressão foi usada para ilustrar o contraste entre o estilo de vida atribuído aos investigados e a origem dos recursos administrados pelo RioPrevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.
Na representação enviada ao STF, os investigadores afirmam que o banqueiro Daniel Vorcaro buscava estreitar relações com autoridades públicas com poder sobre fundos previdenciários, utilizando encontros frequentes, viagens, jantares e aproximações pessoais.
A investigação aponta que parte dessas relações extrapolaria o ambiente institucional e avançaria para uma convivência descrita pela PF como incompatível com a cautela esperada em operações envolvendo recursos públicos previdenciários.
Entre os episódios citados pelos investigadores está uma viagem a Nova York, em 2023, quando Cláudio Castro teria participado de um jantar no restaurante Nusr-Et, do chef conhecido mundialmente como Salt Bae.
Segundo a PF, uma despesa de US$ 13.313, equivalente a mais de R$ 66 mil na cotação da época, foi identificada no cartão ligado a Daniel Vorcaro.
A investigação também menciona conversas sobre reservas envolvendo vinhos Vega-Sicilia Único 2013, além de champagnes Dom Pérignon e Cristal.
Segundo a Polícia Federal, enquanto essa aproximação ocorria, o RioPrevidência ampliava sucessivamente os aportes em produtos ligados ao Banco Master.
As investigações apontam que, inicialmente, o fundo investiu cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo banco. Posteriormente, os aportes migraram para fundos de investimento ligados à instituição financeira, elevando o total aplicado para aproximadamente R$ 3 bilhões.
O documento da PF sustenta que determinadas operações dependiam de “alinhamentos políticos” e que encontros entre Vorcaro e Castro antecederam liberações de aportes do RioPrevidência.
A defesa dos investigados nega irregularidades e afirma que os investimentos seguiram critérios legais e técnicos.